Chávez quer punir responsáveis por mortes durante golpe

O presidente Hugo Chávez determinou à Procuradoria Geral da República a abertura de uma investigação sobre os violentos incidentes de 11 de abril passado e dos dias subseqüentes. "Os responsáveis pelas mortes de venezuelanos, estejam onde estiverem, devem ser identificados e submetidos a todo o rigor da lei", disse Chávez em uma carta dirigida ao procurador geral Isaías Rodríguez. Cerca de 50 pessoas morreram, outras 350 ficaram feridas e centenas de casas comerciais foram saqueadas durante o golpe e contragolpe de Estado ocorridos na Venezuela na segunda semana de abril. O mandatário pediu que não se poupem esforços para esclarecer os acontecimentos, ao mesmo tempo que ofereceu toda a colaboração do Executivo e a mais absoluta imparcialidade. Na carta divulgada na segunda-feira à noite, o presidente assegurou que seria "verdadeiramente desprezível que, diante da morte de compatriotas, assumíssemos uma atitude sectária, discriminando entre os mortos de um e de outro grupo". A declaração de Chávez, revestida do tom conciliador que tem caracterizado seu retorno ao poder, ocorre em momentos em que o Congresso planeja criar uma Comissão da Verdade de caráter independente. Se for aprovada hoje, a comissão investigará as violações aos direitos humanos cometidas por partidários e adversários de Chávez durante a crise de governo. Considera-se que o esclarecimento dos crimes seja um passo-chave para a reconciliação da hoje dividida sociedade venezuelana. Um dos principais promotores das investigações, o Comitê de Familiares de Vítimas (Cofavi) dos acontecimentos de 27 de fevereiro de 1989, recebeu ameaças ao manifestar seu propósito. O Cofavic assegurou em um comunicado que a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) ditou medidas destinadas à proteção da vida e integridade da diretora do organismo, Liliana Ortega, e de seus colaboradores. "É um duro revés para os direitos humanos que os defensores recebam ameaças e acredita-se que há uma situação de insegurança para o desenvolvimento de sua ação", disse Ortega em um comunicado. Segundo o Cofavic, organização criada em razão dos crimes cometidos durante o levante popular de 1989 conhecido como "Caracazo", esta é a primeira vez, em seus 13 anos de existência, que a entidade recebe ameaças. Tais ameaças foram feitas por telefone e por correio eletrônico. A CIDH adotou medidas preventivas em 19 de abril atendendo a uma solicitação feita pelo Centro pela Justiça e Direito Internacional e pelo Vicariato de Direitos Humanos de Arquidiocese de Caracas.

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