Chávez quer usar cúpula para pressionar EUA

Venezuelano pretende aproveitar presença de Obama no encontro regional de Trinidad e Tobago para fazer campanha pelo fim das sanções a Cuba

AFP e AP , CARACAS, O Estadao de S.Paulo

15 de abril de 2009 | 00h00

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, tem dado sinais de que pretende usar a Cúpula das Américas, que será realizada entre sexta-feira e domingo, em Port of Spain, capital de Trinidad e Tobago, para orquestrar um coro antiamericano e pró-Cuba. "Estamos preparando nossa artilharia", advertiu Chávez ontem, referindo-se ao encontro. "Por que Cuba não estará na cúpula? Essa será uma das primeiras perguntas que ressonarão em Trinidad", completou, após defender que os EUA levantem o embargo à ilha. A cúpula, da qual participarão representantes de 34 países, será o primeiro encontro do presidente dos EUA, Barack Obama, com a maior parte dos líderes da região. Segundo fontes da Casa Branca, Obama decidiu anunciar o fim das restrições às viagens e remessas de cubano-americanos à Cuba na segunda-feira numa tentativa de evitar que as relações com a ilha sejam o principal tema da reunião. Em dezembro, durante um encontro do Grupo do Rio, na Costa de Sauípe, no Brasil, presidentes de diversos países da região pediram o fim do embargo à ilha. Alguns também vêm defendendo sua reinclusão na Organização dos Estados Americanos (OEA). "Vamos ver o que nos traz o presidente dos EUA (em Port of Spain)", disse Chávez. "Queremos ver se é verdade que ele vem com uma nova visão sobre a América Latina e o Caribe e pretende respeitar nossos povos."Chávez promete "fechar posições" com seus aliados num outro encontro que ocorrerá em Cumaná, na Venezuela, um dia antes do início da cúpula em Trinidad e Tobago. Segundo ele, estarão presentes na reunião paralela os presidentes de Cuba, Raúl Castro; o de Honduras, Manuel Zelaya; o da Nicarágua, Daniel Ortega, e o primeiro-ministro de Dominica, Roosevelt Skerrit.A última Cúpula das Américas ocorreu há quatro anos em Mar del Plata, na Argentina. Na ocasião, Venezuela e Brasil ajudaram a enterrar o projeto da Área de Livre Comércio para as Américas (Alca), impulsionado pelos EUA. Desde então, os americanos têm negociado acordos bilaterais com vários países da região, enquanto Chávez vem se empenhando em angariar adeptos para seu bloco antiamericano. Durante governo George W. Bush (2000-2008), a Venezuela e a Bolívia expulsaram os embaixadores americanos do país e o Equador recusou-se a renovar o contrato para a utilização de uma base militar em seu território. Com os cofres cheios por causa dos altos preços do petróleo, Chávez também ajudou a impulsionar a Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), criada em 2004, que hoje além da Venezuela também inclui Honduras, Nicarágua, Bolívia, Cuba e Dominica. Desde a campanha, Obama vem acenando com uma aproximação com esse eixo antiamericano. Chávez deu alguns sinais de que recebeu a proposta de forma positiva, embora não tenha reduzido suas críticas ao "imperialismo" americano.ENCONTRO COM URIBEAinda ontem, Chávez reuniu-se com o presidente colombiano, Álvaro Uribe, pela segunda vez neste ano, para discutir as relações econômicas entre os dois países. Venezuela e Colômbia quase romperam relações diplomáticas no ano passado. Chávez afirmou que o plano de Uribe para combater a guerrilha "pode marcar uma guinada em direção à paz". AO ATAQUEHugo ChávezPresidente da Venezuela"Estamos preparando nossa artilharia (para a Cúpula das Américas). Por que Cuba não estará na cúpula? Essa será uma das primeiras perguntas que ressonarão em Trinidad e Tobago. Vamos ver o que nos traz o presidente dos EUA"

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