Chávez recebe Morales e anuncia o "eixo do bem"

O presidente eleito da Bolívia, Evo Morales, foi recebido hoje com honras de chefe de Estado em Caracas, onde reafirmou sua adesão à luta "antineoliberal e antiimperialista" de Cuba e Venezuela. "São novos tempos. Estamos em um milênio que será para os povos, não para o Império. Juntamo-nos à tarefa de Fidel (Castro) em Cuba e de Hugo (Chávez) na Venezuela para dar uma resposta às necessidades das maiorias nacionais", afirmou em uma improvisada entrevista.Morales, que procedia de La Paz, chegou ao aeroporto da capital venezuelana às 9h50 (11h50 de Brasília) em um Airbus da companhia Cubana de Aviação. O presidente eleito da Bolívia foi recebido na saída do avião pelo governante venezuelano, Hugo Chávez, e pela maioria dos membros de seu governo.Morales desceu do avião, mas Chávez o guiou de volta à aeronave, onde permaneceram uns dez minutos. Depois, recebeu honras de chefe de Estado acompanhado por Chávez. "Vamos mudar a Bolívia", assegurou Morales.Enquanto esperava a chegada de Morales, Chávez referiu-se ao fato de Morales ser o primeiro índio boliviano a chegar à Presidência do seu país: "São os povos indígenas que retornam do fundo da História". Assegurou também que a visita de Morales é um elo na "formação do eixo do bem", em contraposição ao "eixo do mal"."Vocês já sabem quem é o eixo do mal. O eixo do mal é Washington e seus aliados, que ameaçam, que invadem, que matam. Nós estamos formando o eixo do bem", assinalou o presidente venezuelano.Chávez disse que falará hoje com Morales sobre a maneira como a Venezuela poderá apoiar a Bolívia na realização dos dez pontos que o partido de Morales, o Movimento ao Socialismo (MAS), propôs na campanha eleitoral. "Vamos apoiá-lo modestamente para que se torne realidade o que Evo chamou de o resgate da dignidade da Bolívia", disse Chávez.O governante venezuelano disse que leu as dez propostas do MAS e assegurou que tratará de todas elas na reunião que manterá hoje com Morales no Palácio de Miraflores, sede do executivo.Chávez citou a nova lei de hidrocarbonetos, a convocação de uma assembléia constituinte, a lei para as autonomias regionais, o plano de desenvolvimento produtivo, a lei contra a corrupção, a lei de terras produtivas, a segurança cidadã, a soberania social, a transformação educacional e a revalorização da cultura."Vamos falar de tudo isso e ver a maneira com a qual podemos colaborar", insistiu o presidente venezuelano.

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