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Chávez recua em boicote à Cúpula das Américas

Líder venezuelano diz que países da Alba devem participar de reunião na Colômbia e exige que encontro seja o ‘último sem Cuba’

20 Março 2012 | 21h24

CARACAS - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse ontem que a Cúpula das Américas, marcada para os dias 14 e 15, na Colômbia, deve ser a última sem a presença de Cuba. Apesar disso, ele defendeu que a Aliança Bolivariana para as Américas (Alba) não boicote a reunião.

 

O líder bolivariano, que voltou de Cuba no fim de semana após passar por uma cirurgia para a retirada de um novo tumor, disse ter discutido a questão com os presidentes da Bolívia, Nicarágua, Equador – que fazem parte da Alba – e do Brasil. "Será a última Cúpula das Américas sem Cuba. Não haverá novos encontros sem a participação de Cuba", disse Chávez. "Em bom número, reivindicaremos a inclusão de Cuba no futuro."

 

Em Brasília, onde se reuniu com o ministro de Relações Exteriores Antonio Patriota, o chanceler boliviano, David Choquehuanca, disse que a Alba ainda não decidiu se boicotará a cúpula, mas deu sinais de que isso não ocorrerá. "Ainda estamos discutindo isso. Não estamos em tempos de exclusão, mas de inclusão", disse.

 

O presidente da Colômbia e anfitrião da cúpula, Juan Manuel Santos, foi a Cuba há duas semanas para dizer ao líder cubano, Raúl Castro, que não havia consenso sobre a participação de Havana. Na ocasião, Santos reuniu-se também com Chávez, que lhe prometera ir a Cartagena se sua saúde permitisse.

 

Os EUA são contra a inclusão de Cuba na Cúpula das Américas. Segundo Washington, o país não atende aos pré-requisitos democráticos para participar da reunião. Havana acusa a Casa Branca de pressionar países latino-americanos para não permitir sua presença no encontro. Dominica, Antígua e Barbuda e São Vicente e Granadinas também participam da Alba.

 

Ameaça. O candidato oposicionista à presidência da Venezuela, Henrique Capriles, criticou ontem Chávez por divulgar um suposto plano de assassinato contra ele. "Não sei se era uma advertência ou uma ameaça", disse o candidato da Mesa de Unidade Democrática (MUD) por meio de sua conta no microblog Twitter. "A declaração beira a irresponsabilidade. O presidente deveria garantir a segurança de todos venezuelanos."

 

Na segunda-feira, Chávez disse na TV estatal que o serviço secreto descobriu um plano para matar o político, que já enfrentou episódios violentos em sua campanha. Segundo o presidente, o governo levou a ameaça a sério e iniciou uma investigação. Chávez não informou se algum suspeito foi preso.

 

Em 4 de março, homens armados dispararam em um comício de Capriles. Ao menos uma pessoa ficou ferida. / AP e REUTERS

 

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