Chávez rompe relações com Colômbia e põe região de fronteira em alerta

Anúncio foi feito após representante colombiano apresentar na OEA um dossiê contendo vídeos, mapas e fotos que comprovariam que guerrilheiros das Farc estariam escondidos em território venezuelano; diplomatas colombianos têm 72 horas para deixar Caracas

Reuters, Afp e AP, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2010 | 00h00

CARACAS

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou ontem o rompimento das relações diplomáticas com a Colômbia e determinou "alerta máximo" na fronteira. O anúncio foi feito pouco após o representante colombiano na Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Alfonso Hoyos, acusar Caracas de esconder guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em seu território.

"Não nos sobra outra alternativa, por dignidade, além de romper totalmente as relações diplomáticas com a Colômbia", afirmou Chávez, em um comunicado na TV ao lado do ex-jogador Diego Armando Maradona, que dirigiu a seleção argentina na Copa do Mundo e é um simpatizante do chavismo.

Chávez acusou o presidente colombiano, Álvaro Uribe, de querer iniciar um conflito armado com a Venezuela. "Uribe é um doente e está cheio de ódio. Eu alerto a comunidade internacional que não aceitaremos nenhum tipo de agressão nem de violação a nossa soberania", afirmou. "Para uma guerra com a Colômbia iríamos chorando, mas iríamos."

Ele declarou também que espera que Juan Manuel Santos, presidente eleito da Colômbia, que assumirá no dia 7, não tenha nada a ver com a "agressão". "Espero que ele tome atitudes racionais sobre o tema porque há uma loucura na Casa de Nariño (sede do governo colombiano)."

Em visita ao México, Santos não quis confusão. "O presidente da Colômbia é Uribe", disse. "A melhor contribuição que posso dar é não me pronunciar."

A crise começou após uma reunião do Conselho Permanente da OEA, ontem, quando Hoyos apresentou supostas provas da presença das Farc na Venezuela: vídeos, mapas e fotos entregues a Bogotá por guerrilheiros desmobilizados. Para Chávez, a única resposta possível era o rompimento. Imediatamente após o anúncio, o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, deu 72 horas para que os diplomatas colombianos deixem a Venezuela.

Tensão. O governo colombiano disse que a decisão era um "erro" e lamentou que Chávez não tenha rompido laços com "organizações criminosas", como as Farc. O promotor-geral Guillermo Mendoza anunciou ontem que denunciará à Corte Penal Internacional os funcionários do governo venezuelano que colaboraram com as Farc.

A tensão entre Colômbia e Venezuela intensificou-se em 2004, quando Rodrigo Granda, "chanceler das Farc", foi sequestrado em Caracas e apareceu preso em Bogotá, dias depois. Em 2008, a situação agravou-se após o ataque colombiano a um acampamento das Farc no Equador que matou Raúl Reyes, número 2 da guerrilha. Em 2009, a Venezuela ameaçou ir à guerra, quando Bogotá anunciou acordo militar com os EUA para instalação de bases na Colômbia. Apesar dos atritos, um rompimento total, como o anunciado ontem, ocorreu apenas em 1906.

Críticas dos EUA. Philip Crowley, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, criticou a decisão da Venezuela: "O rompimento não é a forma apropriada para reduzir as tensões entre os dois países."

Uma crise que se repete

2004

Guerrilheiro Rodrigo Granda é sequestrado em Caracas

2008

Força Aérea da Colômbia mata Raúl Reyes no Equador

2009

Anúncio de base dos EUA na Colômbia agrava crise

2010

Denúncia de Uribe faz Chávez cancelar ida à posse de Santos

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