Chávez se submeteria a plebiscito, diz ministro

O ministro do Interior e da Justiça da Venezuela, Ramón Rodríguez, afirmou nesta terça-feira que o presidente Hugo Chávez estaria disposto a submeter sua popularidade a um referendo e "medir-se com a oposição na arena política todas as vezes em que isso se fizer necessário, de acordo com as leis do país".Rodríguez fez a declaração em entrevista ao jornal de Caracas El Nacional, mas ressaltou que, até agora, o governo não cogitou essa possibilidade. "A imensa maioria que elegeu o presidente continua com ele. Vivemos um regime democrático, no qual a maioria tem razão e elege o tipo de governo que acha melhor", afirmou.Rodríguez acrescentou que considera "um convite para violar a Constituição" a atitude beligerante de três oficiais da ativa da Venezuela que, nos últimos dias, exigiram publicamente a renúncia de Chávez. "As declarações daqueles que vestem farda vão além das posições pessoais e podem ser interpretadas como um chamado para quebrar a ordem legal das Forças Armadas e, neste sentido, representam um perigo para a segurança do Estado."Uma comissão encarregada de decidir se o coronel da Força Aérea Pedro Soto - o primeiro dos três militares a se declarar em rebeldia - cometeu ou não delito se reuniu nesta terça-feira. Comissões similares devem analisar os casos dos outros dois oficiais rebeldes: o capitão da Guarda Nacional Pedro Flores e o contra-almirante Carlos Molina.Ante a crise política e de governabilidade que Chávez enfrenta, políticos da oposição estão buscando caminhos institucionais para derrubá-lo. Estão em discussão propostas que vão da possibilidade de se convocar um referendo à votação de um impeachment de Chávez por incapacidade mental. Para aumentar os problemas do presidente, deputados governistas passaram a exigir nesta terça a renúncia da equipe econômica do governo.Na semana passada, tentando conter o ritmo da fuga de capitais, Chávez anunciou a adoção da livre flutuação do bolívar, que passou a se desvalorizar rapidamente. O ministro da Defesa, José Vicente Rangel, reiterou nesta terça que os protestos dos militares contra o governo não refletem a posição dos quartéis do país, que se mantêm em calma.A declaração foi uma resposta às afirmações de Soto e Molina, de que 75% das Forças Armadas do país estão descontentes com a administração de Chávez. O presidente - que em fevereiro de 1992 era tenente-coronel de um corpo de pára-quedistas e liderou uma fracassada rebelião contra o então presidente Carlos Andrés Pérez - se indispôs com empresários e proprietários de meios de comunicação por causa de um projeto de reformas que afeta a legislação sobre a propriedade rural e os direitos sobre a exploração da pesca e do petróleo, entre outras medidas polêmicas.

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