Chávez será o grande ausente do Mercosul

Primeira reunião de cúpula desde a efetivação da Venezuela no bloco começa amanhã, mas líder bolivariano, que está em Cuba, não irá a Brasília

LISANDRA PARAGUASSU , BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

06 de dezembro de 2012 | 02h05

Na sua primeira reunião do Mercosul como membro pleno, a Venezuela não estará representada pelo presidente Hugo Chávez. Em tratamento de saúde em Cuba, o venezuelano - que pressionou por anos pela entrada no bloco - perderá sua grande estreia.

A ausência de Chávez é mais um sinal das dificuldades que, apesar do interesse em participar do grupo, a Venezuela como um todo tem enfrentado para acompanhar as reuniões, políticas e técnicas, desde que conseguiu ser aceita no organismo.

De acordo com informações obtidas pelo Estado, a Venezuela informou ontem pela manhã que Chávez não conseguirá comparecer. Mas a informação ainda é tratada com sigilo no Itamaraty. Oficialmente, sua presença é apenas incerta.

Chávez não foi ao Peru, para o encontro da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), mas garantia que viria ao Brasil - o que só ajuda a aumentar as especulações sobre o real grau dos problemas de saúde que estaria enfrentando.

Há duas semanas, na reunião de ministros da Educação do Mercosul em que foram decididas, entre outros assuntos, as áreas em que haveria equivalência de currículos e a criação de uma bolsa de estudos de pós-graduação para o bloco, não havia nenhum representante venezuelano. O país também esteve ausente de reuniões sobre questões tarifárias, veterinárias e de agricultura.

A entrada da Venezuela no Mercosul foi acertada em junho, durante a reunião de Mendoza (Argentina), aproveitando a suspensão do Paraguai (mais informações nesta página).

O país era o único do bloco cujo Congresso não tinha aprovado o novo membro e emperrava a negociação desde 2010, quando o Legislativo brasileiro votou o tratado. Em 12 de agosto, a entrada da Venezuela foi formalizada.

O período coincidiu com o processo de eleitoral no país, um dos mais duros que Chávez enfrentou desde que chegou ao poder. No entanto, mesmo depois das eleições, as dificuldades permaneceram.

Falta de pessoal. Na verdade, o país não tem, hoje, gente suficiente para tratar de todos os temas locais e também cuidar do Mercosul. No início de novembro, o próprio chanceler brasileiro, Antonio Patriota, foi a Caracas com uma equipe técnica para adiantar as discussões necessárias para essa reunião do bloco, assim como o subsecretário para América do Sul, Central e Caribe, Antonio Simões, o fez diversas vezes.

De acordo com Simões, os acordos avançaram. Uma das questões essenciais para a participação plena da Venezuela no bloco, a das chamadas "nomenclaturas" - códigos para identificar cada um dos produtos comercializados na região -, ficou pronta e começará a ser implementada no primeiro semestre do ano que vem.

"Tínhamos um ano para fazer isso e conseguimos fechar em quatro meses. O trabalho avançou muito bem", afirmou o embaixador.

A maior parte do trabalho foi, na prática, feita pelo Brasil, que tem neste momento a presidência rotativa do Mercosul. A expectativa do Itamaraty é a de que mesmo as integrações tarifárias, a parte mais complicada, comecem já no ano que vem.

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