Chávez sobrevive com opiáceo forte, diz jornal

Com base em 'relatórios de inteligência', jornal espanhol 'ABC' afirma que presidente toma medicamento '100 vezes mais forte do que a morfina'

CARACAS, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2012 | 03h03

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, suporta as fortes dores provocadas pela extensão de seu câncer nos ossos graças a um poderoso opiáceo, afirmou ontem o jornal espanhol ABC. O presidente venezuelano, segundo o jornal, vem tomando o fentanil, um "medicamento cem vezes mais forte do que a morfina, para aliviar as dores que o avanço do câncer nos ossos está provocando."

A informação foi apresentada como "exclusiva" pelo correspondente do jornal em Washington. O jornalista diz ter tido acesso ao "último relatório de inteligência" elaborado a partir das recomendações médicas da equipe que atende ao líder venezuelano.

O documento, segundo o correspondente do ABC, confirma que o presidente "sofre de um rabdomiossarcoma", um tumor cancerígeno dos músculos, que aderiu aos ossos, com metástase. No entanto, uma parte da equipe médica considera, segundo a mesma fonte, que, "se não ocorrer uma inesperada deterioração de seu estado de saúde, o presidente venezuelano poderia chegar às eleições presidenciais".

Eleições de outubro. Chávez, que não detalhou de que tipo de câncer sofre, nem sua gravidade, tenta ser eleito para um novo mandato de seis anos nas eleições presidenciais marcadas para o dia 7 de outubro.

A candidatura do presidente foi registrada na sexta-feira no Conselho Nacional Eleitoral (CNE) durante o primeiro dia do prazo formal para que os partidos apresentem seus nomes. Seu principal adversário deve ser o opositor Henrique Capriles Radonski.

Falando durante quase quatro horas ao país, após uma reunião de ministros, Chávez realizou, na terça-feira, sua aparição televisiva mais longa desde que anunciou, em março, a reincidência do câncer descoberto em 2011.

Ultimamente, o presidente venezuelano, que concluiu há pouco mais de duas semanas as sessões de radioterapia em Cuba, havia diminuído drasticamente suas aparições públicas.

Adesivos. De acordo com o ABC, o fentanil estaria sendo administrado em Chávez por meio de adesivos dermatológicos colocados sob sua roupa. Entre os efeitos colaterais do medicamento, ainda segundo a reportagem do jornal espanhol, estão uma eventual "letargia ou lentidão mental" .

O ABC afirma também que os médicos cubanos que estão cuidando do presidente "não estariam lhe comunicando toda a gravidade de sua situação" para "aumentar a confiança" do líder venezuelano. / REUTERS, AP e EFE

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