'Chávez tem condições de governar', diz vice

Presidente se recupera de cirurgia, mas falta de informações levanta suspeitas sobre seu estado de saúde

, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2011 | 00h00

Data de retorno de Chávez, que sofreu um abscesso pélvico, ainda não foi divulgada

       

CARACAS - O vice-presidente da Venezuela, Elías Jaua, disse ontem que "não deve nem quer assumir as funções do presidente Hugo Chávez", que se recupera em Cuba após ter sido operado de emergência de um abscesso pélvico - um acúmulo de pus localizado na região inferior do abdômen. Jaua reiterou que Chávez está em plenas faculdades físicas e mentais para governar o país.

"O presidente legítimo, constitucional, legal e em pleno exercício de suas competências é Hugo Chávez Frías", declarou Jaua, respondendo a uma pergunta sobre se deveria assumir a presidência na ausência de Chávez, cuja data de retorno à Venezuela ainda não foi anunciada.

O silêncio do governo, dos médicos de Chávez, informações desencontradas e o pós-operatório que já dura quatro dias levantaram dúvidas entre os venezuelanos sobre o real estado de saúde do presidente.

Diante de boatos e cobranças da oposição, que exigiu detalhes sobre a saúde de Chávez, o chanceler Nicolás Maduro explicou que o presidente sentiu dores abdominais durante a visita que fez ao Brasil e ao Equador. Elas teriam ficado mais intensas na chegada a Cuba. Maduro reconheceu que os médicos tiveram de "atuar rápido" por ser uma região delicada, que poderia sofrer uma infecção grave.

Depois disso, o próprio presidente foi ao ar, por telefone, para dizer que passa bem. "Fizeram biópsias, estudos, microbiologia, diferentes exames de laboratório e não há nenhum sinal maligno ali", disse Chávez.

Para o presidente da Federação Médica Venezuelana, Douglas León Natera, Chávez teve "sorte de ter tido um diagnóstico no momento adequado", embora tenha preferido não especular sobre o caso sem saber de detalhes.

Já o ex-ministro da Saúde José Félix Oletta questionou o fato de os detalhes da operação não terem sido divulgados por profissionais, mas pelo chanceler e pelo próprio Chávez. "Não vemos a causa, só a consequência de um problema", disse. / APC

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