Chávez tem quadro clínico crítico, diz jornal dos EUA

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, que está internado em um hospital de Havana há duas semanas, estaria enfrentando "um quadro clínico crítico", segundo fontes do serviço de inteligência dos Estados Unidos, informou o site do jornal norte-americano de língua espanhola El Nuevo Herald, neste sábado.

AE, Agência Estado

25 de junho de 2011 | 15h23

As fontes, que falaram sob a condição de anonimato, disseram que não podiam confirmar a notícia que o mandatário venezuelano está sendo tratado de um câncer de próstata, versão que está sendo sussurrada com cada vez mais frequência nas altas esferas venezuelanas. Mas uma delas disse que o estado de saúde de Chávez "é crítico; não grave, mas crítico, complicado."

Por outro lado, as fontes do serviço de inteligência que têm acompanhado de perto a situação em Caracas confirmaram que a filha de Chávez, Rosinés, e sua mãe, Marisabel Rodríguez, saíram da Venezuela com destino à Cuba em um avião da Força Aérea há três dias. "Marisabel e sua filha saíram do país de forma intempestiva", comentou outra das fontes.

O mistério sobre o estado de saúde de Chávez e sua reclusão desde que viajou para Cuba acentuaram as especulações sobre seu verdadeiro estado de saúde. Ele falou brevemente à televisão estatal venezuelana logo depois da cirurgia, tirou fotos no hospital, divulgadas na quinta-feira, e deixou mensagens no Twitter. Mas não mencionou até agora quando voltará a seu país.

Segundo o governo, Chávez foi operado de um abscesso pélvico em 10 de junho, em um hospital de Havana, onde estava em visita oficial. A coalizão de oposição, Mesa de la Unidad Democrática (MUD) exigiu nesta semana informes médicos diários sobre a saúde do presidente. "Não pode haver segredos nesta matéria. Governos autoritários enviam fotos, na democracia há informação", disse o deputado Américo de Grazia, líder da coalizão.

Os crescentes rumores sobre o estado de saúde de Chávez têm gerado especulações sobre o que aconteceria com a Venezuela caso ele seja obrigado a deixar o cargo. Existem distintas facções dentro do chavismo, que se enfrentam frequentemente. Não se sabe quem seria o sucessor do presidente. De acordo com analistas, mesmo a percepção de que Chávez poderia ficar algum tempo fora do governo seria suficiente para gerar um forte choque interno pelo controle do movimento chavista.

Por enquanto, os altos funcionários do governo redobram os esforços para manter um ar de tranquilidade repetindo a todo instante, sem dar detalhes, que Chávez se recupera de forma satisfatória. "Posso testemunhar sobre a saúde do presidente", disse o governador do estado de Barinas e irmão do presidente, Adán Chávez, em declaração à televisão estatal, na quarta-feira.

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