Chávez tenta ''blindar'' acesso ao espaço aéreo venezuelano

Compra de mísseis da Rússia é parte de projeto ambicioso de presidente, segundo telegramas revelados pelo WikiLeaks

Roberto Godoy,

10 de dezembro de 2010 | 00h36

Os cem mísseis antiaéreos Igla-S vendidos pela Rússia para as Forças Armadas da Venezuela são apenas a parte mais visível de um projeto ambicioso, destinado a "blindar definitivamente o acesso ao céu do país em três níveis", segundo definição do presidente Hugo Chávez.

A revelação da transação, conhecida desde 2008, foi feita pelo site WikiLeaks. O negócio é estimado em cerca de US$ 6,5 milhões e envolve os mísseis, os lançadores, a documentação técnica e o treinamento. O ministério da Defesa venezuelano está negociando o fornecimento de um simulador eletrônico para a instrução do pessoal.

O presidente Hugo Chávez criou a "Unidade Antiaérea de Combatentes a Pé" para receber e operar o Igla-S. A arma não exige qualificação especial do artilheiro. Guiada pelo calor, permite uso sob condições adversas de clima. Voa a 2.520 km/h e atinge alvos a seis quilômetros de distância, 10 mil metros de altitude, voando à velocidade máxima de 1.440 km/h. É virtualmente imune aos recursos conhecidos de despiste.

É, de fato, um fator de desequilíbrio regional. Nenhum dos arsenais vizinhos da Venezuela - exceção do Brasil -, mesmo o colombiano, formado de acordo com a necessidade imposta pela luta contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), pode encarar a sofisticada defesa antiaérea de Chávez.

Em 2009, o presidente anunciou a compra, na Rússia, de dez baterias completas do sistema S-300, municiado com 300 mísseis 48N, capazes de atingir alvos a 27 mil metros de altitude a distâncias de 300 quilômetros. A transação ainda não foi formalizada pelo governo do presidente Dmitri Medvedev.

No entanto, em agosto, o premiê Vladimir Putin confirmou a aquisição de um número não revelado do sistema Tor-M1/2, ainda mais avançado. É uma boa encomenda, no valor de US$ 290 milhões. O tempo de detecção do alvo pelo Tor-M1/2 é de 8 segundos - o conjunto rastreia 48 deles simultaneamente.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.