Chávez tenta conter desgaste da escassez

Com nacionalizações, líder busca evitar sumiço de gêneros como o de 2007

Reuters, CARACAS, O Estadao de S.Paulo

06 de março de 2009 | 00h00

As medidas agressivas do presidente venezuelano, Hugo Chávez, contra o setor de alimentos mostram que ele vai responder à crise econômica com nacionalizações e mais controle sobre a economia. Na semana passada, Chávez ordenou que soldados ocupassem temporariamente processadoras de arroz e nacionalizou outra instalação desse tipo administrada pela gigante americana dos alimentos Cargill - soba a alegação de que elas não estavam produzindo o bastante da variedade de arroz cujo preço é fixado pelo governo. Socialista intransigente, Chávez parece decidido a continuar aumentando o controle estatal sobre a economia em resposta ao declínio da receita do petróleo, à inflação cada vez mais alta e à possibilidade de uma queda na produtividade. Encorajado pela vitória no referendo de fevereiro que lhe permite reeleições ilimitadas, Chávez está novamente procurando por embates contra o setor privado, o que pode reduzir ainda mais o crescimento do PIB - desacelerou para 4,8% em 2008, em relação aos 8,4% registrados em 2007. "Chávez é sinônimo de confronto e não há muitos truques aos quais ele possa recorrer", disse Riordan Roett, do programa para a América Latina da Escola Johns Hopkins de Estudos Internacionais Avançados em Washington. "É provável que observemos outras demonstrações de comportamento agressivo conforme chegarmos à metade do ano sem que haja uma recuperação no preço do petróleo."Chávez disse quinta-feira que assumiria o controle de uma fazenda de eucaliptos administrada pela produtora irlandesa de papel Smurfit Kappa e, no início da semana, ameaçou assumir o controle da maior produtora venezuelana de alimentos, as empresas Polar. A grande dependência da Venezuela de alimentos importados significa que o país pode passar por dificuldades para garantir os estoques a preços subsidiados conforme as reservas de moeda se esgotam, levando possivelmente à falta de gêneros essenciais. Escassez semelhante ocorrida há dois anos prejudicou a popularidade de Chávez, obrigando-o a gastar mais com a importação de alimentos e a estabelecer uma rede estatal de distribuição de alimentos. NO COMANDO Petróleo - Em 2007, Chávez assumiu o controle acionário de quatro projetos na Bacia do Orinoco. As americanas Exxon e ConocoPhillips deixaram o país Telecomunicações - Presidente nacionalizou em 2007 a CANTV, maior companhia do país, ao comprar parte de empresa dos EUA Energia - Governo pagou US$ 740 milhões pela parte da americana AES na maior produtora privada de energia da Venezuela Bancos - Chávez anunciou em 2008 que compraria o Banco de Venezuela do espanhol Santander, mas acordo ainda não saiu Aço - País assumiu a Sidor, antes controlada por empresa argentina

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