Chávez tenta reduzir poder de opositores

Desde que políticos opositores venceram as eleições em cinco dos principais Estados venezuelanos e nas duas cidades mais populosas do país (Caracas e Maracaibo), em novembro, o presidente Hugo Chávez vem tomando uma série de medidas para esvaziar as atribuições dos governos locais. Ruth Costas comenta o pedido de prisão e as tensões na Venezuela Decretos transferiram, da Prefeitura de Caracas para o governo central, o controle da Polícia Metropolitana, 93 escolas, 30 hospitais, a emissora Ávila TV e o espaço cultural Nuevo Circo. O Estado de Miranda também ficou sem 18 hospitais e ambulatórios. Nesta semana, Zulia, Nueva Esparta e Carabobo perderam seus portos, aeroportos e rodovias. Além disso, grupos ligados ao presidente têm procurado boicotar o governo de opositores. Em Táchira, parlamentares governistas impediram por dois meses a posse do governador eleito, César Pérez Vivas. Em Caracas, chavistas tomaram e picharam a sede da prefeitura para impedir que Antonio Ledezma pudesse trabalhar. "Em geral, boas gestões nas prefeituras e Estados podem lançar um político rumo à candidatura à presidência", diz o analista político Fausto Masó, lembrando o caso de Manuel Rosales. "Chávez não quer deixar que esses governadores possam trabalhar porque, se eles tiverem sucesso no âmbito regional, podem ser rivais de peso no cenário nacional."Segundo analistas, a centralização promovida pelo presidente reverte um processo que foi iniciado no final dos anos 80. Autoridades locais, antes designadas pelo presidente, passaram a ser eleitas. O objetivo, na época, era dar mais eficiência aos serviços públicos e fazer com que o Estado pudesse responder mais rapidamente às demandas de seus habitantes. "Mais próximos da população, prefeitos e governadores podiam cuidar de questões como o transporte público, a segurança e a saúde", diz Maso.

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