Chávez teria tumor raro e agressivo

Segundo jornalista americano, presidente trata um rabdomiossarcoma, uma lesão maligna nos tecidos que cobrem os órgãos da pélvis

LUIZ RAATZ, O Estado de S.Paulo

31 Maio 2012 | 03h11

O câncer que acomete o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, seria um rabdomiossarcoma, um tumor raro em adultos e de difícil tratamento, que atinge tecidos musculares. A informação é do experiente jornalista americano Dan Rather, do canal a cabo HD Net, que por 24 anos foi o âncora da rede CBS.

Segundo Rather (mais informações nesta página), que cita uma fonte "altamente respeitada, próxima de Chávez e ciente de seu histórico médico", o paciente estaria em estágio terminal, o prognóstico seria grave e ele teria "alguns meses" de vida. O repórter americano ressalta em seu texto que, apesar de confiar em seu informante, não há outras fontes que confirmem suas declarações.

Outra fonte próxima ao chavismo, sob condição de anonimato, disse ao Estado que o presidente tem um tumor no tecido entre os órgãos próximos ao quadril. Segundo essa fonte, o diagnóstico citado por Rather é compatível com os dados que ele conhece, mas não houve metástase.

Ainda de acordo com o interlocutor, o presidente seguiu nas últimas semanas um regime de repouso absoluto a pedido de seus médicos e de uma de suas filhas. O descanso, interrompido ontem por uma reunião do conselho de ministros na TV estatal, teve como objetivo recuperar o sistema imunológico de Chávez das sessões de radioterapia às quais ele se submeteu em Cuba.

Uma fonte diplomática ressalta, no entanto, que pouquíssimas pessoas têm acesso ao prontuário médico de Chávez e o tipo de câncer continua sendo mantido em sigilo. Só Chávez, seus médicos e os irmãos Castro sabem realmente qual o diagnóstico.

O coordenador de comunicação do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), Jesús Manzanare, declarou ao Estado que apenas Chávez pode falar sobre seu Estado de saúde. "O único que está autorizado a falar sobre a doença de Hugo Chávez é o próprio presidente", disse.

Manzanare ressaltou que o cronograma da campanha chavista à reeleição está mantido. "O presidente será o candidato da revolução bolivariana e inscreverá sua candidatura entre amanhã e o dia 11." Questionado sobre se Chávez participaria de atos públicos, o dirigente respondeu afirmativamente.

Tumor. O rabdomiossarcoma é um tipo de tumor que se desenvolve em tecidos musculares. Em alguns casos, ele pode atingir tecidos que cobrem a bexiga e a próstata. Segundo informe do Hospital A.C. Camargo, 85% dos rabdomiossarcomas ocorrem em crianças e adolescentes. Nos 15% de casos entre adultos, o sarcoma costuma ser mais agressivo. Os locais mais comuns de incidência desses tumores são os braços e pernas. Em seguida, estão cabeça e o pescoço. Depois, vêm os tecidos que envolvem a bexiga e a próstata.

De acordo com o oncologista Samuel Aguiar Júnior, do A.C. Camargo, adultos não têm uma resposta tão boa quanto as crianças ao tratamento de quimioterapia. "Sarcomas de alto risco, como o rabdomiossarcoma, são bastante raros", disse ao Estado. "Seus sintomas não são específicos, podem incluir dificuldades para caminhar e evacuar e há 60% de risco de reincidência."

Mistério. Desde junho do ano passado, quando anunciou ter removido um câncer na região pélvica, Chávez não deu detalhes sobre qual tipo de tumor ele tem. Após uma sessão de quimioterapia, declarou-se curado em outubro. Em fevereiro, após ter sido detectada uma recidiva, o líder bolivariano passou por uma nova cirurgia e por um tratamento radioterápico em Cuba, concluído há quase duas semanas.

Na noite de terça-feira, Chávez fez sua mais longa aparição desde que retornou de Havana. Em uma reunião de quatro horas com seu conselho de ministros, o presidente anunciou projetos de infraestrutura no setor petroquímico no valor de US$ 600 milhões.

"Chávez tem manipulado a incerteza sobre sua doença para parecer que conduzirá a campanha", disse ao Estado o analista político Alfredo Ramos Jiménez.

"Ele quer conservar a expectativa de seus seguidores manobrando o sentimento das pessoas sobre a doença, mas isso pode ser contraproducente."

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