Chávez toma posse com mais promessas socialistas

O presidente reeleito da Venezuela, Hugo Chávez, toma posse nesta quarta-feira para seu novo mandato, que vai até 2013, com promessas de uma radical revolução socialista e de nacionalizações, que já derrubaram os mercados financeiros. Animado por sua tranqüila vitória eleitoral de dezembro, o líder antiamericano vem flertando audaciosamente com as polêmicas: recusou-se a renovar a concessão de uma rede de TV oposicionista e prometeu assumir o controle de empresas importantes, algumas das quais de capital estrangeiro. "Estamos avançando para uma república socialista da Venezuela", disse Chávez na segunda-feira, quando anunciou políticas como o fim da autonomia do Banco Central e um pedido ao Congresso para que o presidente tenha poderes legislativos especiais. Os mercados financeiros reagiram à guinada de Chávez ainda mais à esquerda. A Bolsa perdeu quase um quinto do seu valor na terça-feira, os títulos da dívida caíram a seu menor valor em seis semanas, e a moeda local foi vendida a quase o dobro da taxa oficial. A oposição acusa Chávez, no poder desde 1999, de tentar transformar o país, grande exportador de petróleo, em uma economia centralizada, ao estilo cubano. Reeleito com 63 por cento dos votos em dezembro, o presidente estimulou ainda mais as comparações com Fidel Castro ao anunciar a formação de um partido único para apoiá-lo, embora declare que sempre vai tolerar a oposição. Chávez já controla o Parlamento e o Judiciário, e afirma que apenas seus seguidores devem ser admitidos no Exército e na estatal petrolífera PDVSA. A mídia e a infra-estrutura, seus novos alvos, são dois setores que poderiam completar seu controle sobre o Estado. O presidente diz necessitar de mais poderes para salvar a Venezuela da exploração e mesmo de um ataque de países capitalistas, especialmente os Estados Unidos. Ainda não se sabe se o governo pretende assumir o controle de 51 por cento das empresas energéticas ou estatizá-las totalmente. Entre as empresas estrangeiras ameaçadas pela decisão estão Chevron, Exxon Mobil, ConocoPhillips, Statoil e Total. Chávez já confiscou enormes fazendas de pecuária, algumas de propriedade estrangeira, para distribuir terras aos pobres. "Ele está falando como o mestre da Venezuela, tentando guiar a Venezuela para a escuridão", disse o líder oposicionista Manuel Rosales. Já o chanceler Nicolás Maduro defendeu os planos de Chávez. "Esta é uma missão de resgate para a soberania da Venezuela."

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