Chávez usa a web para recuperar tempo perdido

Após três cirurgias em pouco mais de um ano e enfrentando um rival bem mais jovem, líder bolivariano intensifica campanha nas redes sociais

DANIEL WALLIS, REUTERS / CARACAS, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2012 | 03h03

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, passou a enviar tuítes em forma de mensagem de texto até para os venezuelanos que têm os pacotes mais básicos de operadoras de celular do país. Chávez enfrenta a mais dura campanha presidencial de sua carreira, contra o opositor Henrique Capriles - a votação está marcada para 7 de outubro.

Após três cirurgias contra um câncer em pouco mais de um ano e sua saúde cada vez mais delicada, Chávez não conseguiu viajar tanto quanto o seu rival. Para compensar, ele se concentra em fazer aparições regulares nas TVs estatais - geralmente durante várias horas, quase todos os dias - e em se comunicar por meio de sua conta no Twitter, que tem cerca de 3,2 milhões de seguidores.

O presidente começou a tuitar no inicio de 2010. Rapidamente, sua conta superou a da Globovisión, a principal estação de TV da oposição. Por isso, de acordo com ele, seu gabinete foi obrigado a contratar mais de 200 pessoas para ajudá-lo a ler e responder o que ele chama de "avalanche" de mensagens dos seguidores, pedidos de ajuda e reclamações sobre serviços ruins e corrupção.

Encantado com seu sucesso cibernético, Chávez até encorajou o cubano Fidel Castro e o boliviano Evo Morales a aderirem às redes sociais. Embora Chávez, de 57 anos, diga que está completamente curado do câncer, sua complicada recuperação significou dar campo para Capriles, um ex-governador de 40 anos, que passou os últimos meses percorrendo o país batendo de casa em casa.

A maioria das pesquisas continua apontando uma vantagem de mais de dez pontos porcentuais para Chávez. O fim de semana foi marcado por uma intensa campanha nas ruas, tanto por parte de Chávez como de Capriles. Durante os comícios, Chávez tem descrito sua recuperação como um verdadeiro "milagre" e tentado aproveitar os profundos laços emocionais - que até mesmo os críticos mais ferrenhos admitem que ele ainda tem - com a maioria dos pobres da Venezuela.

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