Chávez usa shopping e hotéis como abrigo

Presidente venezuelano ordena que Exército ocupe prédios para instalar desabrigados pelas enchentes

, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2010 | 00h00

CARACAS

A Venezuela está alojando as vítimas das chuvas no país em quartéis, hotéis de luxo e até em um shopping center próximo do palácio presidencial de Miraflores. Mais de 100 mil pessoas foram afetadas pelas chuvas dos últimos dias, as piores em uma década, o que agrava o déficit habitacional no país - estimado em mais de 2 milhões de moradias.

Soldados ocuparam 19 hotéis de Caracas para hospedar as vítimas das enchentes. Os militares também estão ajudando a organizar os desabrigados em hotéis na cidade costeira de Higuerote.

O presidente Hugo Chávez ordenou a ocupação de todos os hotéis da cidade para acolher os afetados pelas chuvas. Os militares tomaram três estabelecimentos e discutem a tomada de outros cinco. O presidente anunciou ainda que vai transformar em refúgios "todos os quartéis" e instalações do governo.

Segundo Ricardo Cusanno, vice-presidente da Federação Nacional de Hotéis venezuelana, os proprietários concordaram em ceder o espaço para o socorro dos desabrigados.

O general Luis Alfredo Motta Domínguez disse que as empresas privadas "estão colaborando". "Os proprietários estão em contato e puseram à disposição 150 quartos."

O ministro da Defesa, general Carlos Mata Figueroa, disse que pelo menos 101.684 pessoas foram afetadas pelas chuvas e estão instaladas em 710 abrigos. Pelo menos 34 morreram.

Shopping ocupado. Cerca de 1,5 mil pessoas estão instaladas no prédio do shopping center Sambil La Candelaria, expropriado oficialmente no mês passado por Chávez. Desde quinta-feira, as vítimas vivem no estacionamento do conjunto comercial. Autoridades pretendem alojar 2 mil pessoas no local.

O estabelecimento chamou a atenção do presidente semanas antes de sua inauguração, em 2008. Chávez disse que o shopping provocaria problemas de trânsito e sua construção seria incoerente com um governo socialista.

O local deverá fazer parte da Corporação de Comércio e Fornecimento Socialista, um "canal de comercialização" dos produtos de fabricação estatal, usado por empresas expropriadas. / AP e REUTERS

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