Chávez vai denunciar EUA à ONU por libertação de Posada

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, anunciou no domingo, 22, que seu governo denunciará os Estados Unidos à ONU por causa da libertação do "terrorista" Luis Posada Carriles, acusado pelo governante de elaborar planos para assassiná-lo e ao líder cubano Fidel Castro."Peço às Nações Unidas que intervenham neste caso. Vamos levar este caso às Nações Unidas, é o cúmulo dos cúmulos!", expressou Chávez em seu programa dominical de rádio e televisão, Alô Presidente.O governante lembrou que a Venezuela pediu aos Estados Unidos a extradição de Posada Carriles, acusado por Havana e Caracas de múltiplos atos terroristas, entre eles vários atentados contra hotéis na ilha caribenha e a explosão de um avião da companhia Cubana de Aviación em 1976, que causou 73 mortes.O ex-agente da Agência Central de Inteligência (CIA), naturalizado venezuelano na década de 60, estava preso desde 2005 nos Estados Unidos, acusado de fraude migratória e falso testemunho, e na quinta-feira passada obteve liberdade sob fiança de US$ 350 mil.Chávez voltou a acusar o governo de seu colega americano, George W.Bush, de "proteger terroristas", por supostamente permitir a libertação do anticastrista, de 79 anos.Para o chefe de Estado "não é uma casualidade" que as autoridades americanas tenham libertado Posada Carriles quando, segundo disse, começa "um novo plano desestabilizador" contra a Venezuela, que inclui um suposto magnicídio.Posada Carriles "esteve planejando durante anos não só a morte de Fidel Castro, mas a minha", mediante uma "rede" regional da "CIA que está sendo reativada", assegurou Chávez."Responsabilizo o presidente dos Estados Unidos (...) de estar impulsionando de novo um plano desestabilizador e de dar sinal verde aos planos de magnicídio, de assassinato contra mim", expressou.Denúncia para a OEAJosé Pertierra, representante legal da Venezuela no caso de extradição de Posada Carriles, disse na sexta-feira passada que Caracas estudava a possibilidade de denunciar os Estados Unidos perante a ONU e a Organização dos Estados Americanos (OEA) pela libertação desse "terrorista"."A Venezuela estuda a solicitação ao Comitê Contra o Terrorismo do Conselho de Segurança da ONU de uma investigação sobre a conduta do governo americano e suas autoridades (...) pela libertação do terrorista Posada Carriles", disse Pertierra.Segundo o advogado, com a libertação sob fiança de Posada Carriles, os Estados Unidos deixam de cumprir as obrigações" que assumiram com a resolução 1.373 da ONU, aprovada em 28 de setembro de 2001 por causa dos ataques ao World Trade Center, em Nova York".Esta resolução estabeleceu "que todos os Estados devem abster-se de fornecer ajuda a pessoas que tenham participado de atos de terrorismo", afirmou Pertierra.A defesa venezuelana também estuda a possibilidade de denunciar os Estados Unidos "perante o Comitê Interamericano contra o Terrorismo da Organização dos Estados Americanos (OEA), para que esse organismo examine, igualmente, a conduta" de Washington, acrescentou o advogado."Não descartamos continuar com esta luta. Se for necessário levar o caso aos tribunais internacionais, o faremos", acrescentou Pertierra, segundo a Agência Bolivariana de Notícias.

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