Chávez vai mediar diálogo com Farc

Venezuelano se encontrará com parentes de seqüestrados e deve reunir-se em breve com presidente da Colômbia

Reuters e Ap, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2018 | 00h00

O presidente venezuelano Hugo Chávez se reunirá, na segunda-feira, com parentes de reféns políticos seqüestrados pela guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A reunião foi anunciada ontem pela senadora colombiana Piedad Córdoba, após encontro com Chávez. Na véspera, o presidente venezuelano havia aceitado proposta de Piedad para atuar como mediador entre o governo colombiano e os guerrilheiros das Farc para negociar a libertação dos 45 reféns políticos que permanecem presos pelo grupo rebelde.Piedad disse ainda que Chávez e o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, devem se reunir dentro de alguns dias, sem precisar, contudo, quando e onde seria o encontro.A senadora, de tendências esquerdistas e uma ferrenha opositora do governo colombiano, havia sido designada na quarta-feira, pelo próprio Uribe, para intermediar um acordo humanitário com as Farc. Uma missão, segundo ela, "importante e arriscada". No dia seguinte, Piedad estava em Caracas reunindo-se com Chávez para buscar os primeiros resultados do diálogo. A negociação com Chávez não demorou a avançar. "Se o governo da Colômbia e as Farc julgarem conveniente uma reunião em território venezuelano, estaríamos abertos e dispostos a cooperar", declarou Chávez na quinta-feira, após reunir-se com a congressista. As Farc exigem ainda do governo colombiano a desmilitarização de um território de 800 quilômetros quadrados, onde ficam os municípios de Florida e Pradera, no sudeste da Colômbia, para efetuar a troca de 45 reféns por cerca de 500 guerrilheiros. Entre os presos que seriam libertados pelas Farc está a senadora e ex-candidata à presidência Ingrid Betancourt, seqüestrada em 2002, que esta semana completou 2 mil dias de cativeiro.Até agora, Uribe tem se negado a desmilitarizar a região, e sugeriu como ponto de troca algum lugar fora da Colômbia. Assim que soube da boa receptividade de Chávez, o governo colombiano deu "boas-vindas" à oferta de cooperação. "A participação do presidente Chávez é bem-vinda, assim como tudo o que facilite o processo de paz, que abra caminhos e faça com que as Farc ouçam os pedidos para a libertação dos seqüestrados", disse o ministro do Interior e da Justiça da Colômbia, Carlos Holguín. "As Farc precisam ouvir o clamor nacional e internacional para que eles devolvam os seqüestrados", afirmou o ministro.A notícia do apoio de Chávez animou os familiares dos seqüestrados. "É uma forma de abrir caminhos e é importante que seja uma personalidade latino-americana como Chávez, um homem que a guerrilha diz que respeita", disse Gustavo Moncayo, pai de um soldado capturado em 1997. "O papel de Chávez será muito importante", afirmou Clara González, mãe de Clara Rojas, seqüestrada junto com Betancourt.Acusado de dar cobertura à guerrilha colombiana, Chávez já havia acenado uma aproximação há duas semanas, quando afirmou em seu programa dominical Alô, Presidente que faria de tudo para resolver o impasse no país vizinho. "Querem fazer com que as pessoas acreditem que a Venezuela está a favor da guerrilha colombiana, mas isso não é verdade", afirmou. "Bogotá e Caracas mantém excelentes relações bilaterais." Antes de recorrer a Chávez, o presidente Uribe tinha confiado a intermediação entre as Farc e o governo à França, Suíça e Espanha.

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