Chávez viaja de novo para Havana para tratar câncer

A menos de um mês das eleições regionais na Venezuela, líder avisa que será submetido a sessões de câmara hiperbárica

CARACAS, / AFP , O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2012 | 02h04

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, viajou ontem mais uma vez a Havana para submeter-se a tratamento contra um câncer. Em comunicado lido pelo presidente do Congresso da Venezuela, Diosdado Cabello, Chávez informa que está indo para Cuba para realizar sessões em câmara hiperbárica.

O tratamento, ainda de acordo com o próprio líder, será complementar à fisioterapia que já realiza e é parte da programação estabelecida pelos médicos que o acompanham. Informações mais precisas sobre o tipo, a localização e o estágio do câncer nunca foram divulgadas.

"Solicito à Assembleia que autorize minha ausência a partir do dia 27 e minha permanência na nossa irmã República de Cuba", afirmou Chávez. A autorização foi concedida e não estipula nenhum prazo para o retorno do presidente.

Apesar de ter conseguido se reeleger em outubro para um terceiro mandato - contra o adversário Henrique Capriles Radonski -, Chávez admitiu dias depois do pleito que sua condição de saúde afetou o desempenho na campanha.

Ontem, o presidente voltou a mencionar a maratona eleitoral na nota oficial. "Além da intensa campanha eleitoral e das tarefas como chefe de Estado e de governo, tenho velado pelo devido cuidado com minha saúde", afirmou.

Chávez escolheu fazer o tratamento em Havana desde o início, para garantir sigilo sobre as informações médicas. O presidente não esclareceu exatamente que tipo de câncer tem, nem precisou a extensão do problema. Diagnosticado em 2011, o câncer foi descrito publicamente apenas como sendo localizado "na região pélvica".

Desde o diagnóstico, Chávez já foi submetido, sempre em Havana, a duas cirurgias e sessões de radioterapia. A última intervenção cirúrgica foi realizada em fevereiro.

Regionais. A nova ausência de Chávez em Caracas ocorreu a menos de um mês da realização de importantes eleições regionais no país. No dia 16, os venezuelanos vão às urnas para escolher os 23 governadores e 233 deputados estaduais.

Capriles, derrotado em outubro, tenta se reeleger no governo do Estado de Miranda. Seu rival, Elías Jaua, foi o vice de Chávez de 2010 até outubro, quando foi substituído pelo então chanceler, Nicolás Maduro.

Há poucos dias, Capriles questionou o "sumiço" de Chávez durante a campanha regional, insinuando uma piora na saúde do líder venezuelano. "O presidente prometeu 'mundos e fundos' na campanha e agora está desaparecido. Que saia e dê as caras", cobrou.

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