Chávez viaja hoje a Cuba para nova cirurgia

Assembleia Nacional autoriza ausência de presidente venezuelano e oposição deseja rápida recuperação

CARACAS, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2012 | 03h08

A Assembleia Nacional da Venezuela concedeu ontem uma permissão mínima de cinco dias para o presidente Hugo Chávez ir a Cuba, onde passará por uma cirurgia para remover uma lesão de sua região pélvica. Ele deve partir hoje à tarde para Havana e a operação será conduzida entre segunda e terça-feiras pelos médicos que removeram um tumor da mesma região, em junho.

Em reunião do Conselho de Ministros, realizada após a aprovação da Assembleia, o líder bolivariano pediu ao ministro de Comunicação Andrés Izarra que combata os rumores sobre seu estado de saúde. "Não podemos deixar que os adversários trabalhem com base em mentiras ou meias-verdades", declarou. "Acusam-nos de falta de transparência, mas eles criam os boatos. Informamos sempre que julgamos conveniente."

A concessão foi aprovada com apoio da oposição. "Em momentos como este, prevalecem as razões humanitárias. Se o presidente decidiu se tratar com os médicos que cuidaram dele no ano passado, todos votaremos pela permissão e lhe desejamos breve recuperação", disse o deputado Alfonso Marquina, da Mesa de Unidade Democrática (MUD). Mas o parlamentar ressaltou a necessidade de o vice-presidente Elías Jaua assumir temporariamente a presidência. Quando tratou o câncer no ano passado, Chávez passou alguns de seus poderes para o vice, sem se licenciar formalmente do cargo. "Deve haver alguém encarregado pelo país", acrescentou o deputado. "Que se permita a viagem do presidente, que ele se recupere rapidamente, mas que o vice-presidente se encarregue do país."

Na reunião, Chávez afirmou que instruiria Jaua sobre as decisões cotidianas de governo, mas prometeu manter contato permanente com o vice-presidente e seus auxiliares. "Amanhã (hoje), parto para outra batalha que será vencida", disse. "Estou me atualizando e deixando as coisas em ordem para Elías." Chávez anunciou na terça-feira que tem uma lesão de 2 centímetros na mesma região da pélvis de onde retirou um tumor em junho.

Segundo o presidente, há grande probabilidade de a lesão ser maligna, o que implicaria em um tratamento radioterápico. Isso resultaria em um afastamento de suas funções, a sete meses das eleições presidenciais, nas quais ele disputará seu quarto mandato.

Um dia antes da confirmação da recaída em seu estado de saúde, o jornalista venezuelano Nelson Bocaranda - crítico de Chávez - publicou que o presidente teria ido às pressas a Cuba para uma cirurgia e o câncer teria se espalhado para o fígado. Ele também afirmou que o líder bolivariano estaria tomando esteroides para aguentar o ritmo de suas atividades diárias e parecer mais saudável. / AP e EFE

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