Chávez visita Fidel e oferece usina de gás a Cuba

Venezuelano acredita que colega socialista já está pronto para voltar ao poder

Agencia Estado

18 Junho 2007 | 11h59

Entre brincadeiras e piadas, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, completou seu segundo dia de visitas a Cuba, onde se reuniu com seu colega convalescente, Fidel castro, a quem considerou pronto para vestir novamente seu legendário uniforme verde oliva. Chávez inaugurou, nesta quarta-feira, 13, junto ao presidente interino de Cuba, Raúl castro, uma estátua do libertador venezuelano Francisco de Miranda. Chávez disse que, durante seu encontro com Fidel, ofereceu a construção de uma planta de gás na ilha para processar gás venezuelano. "Não é fácil vir para um ato público em Havana sem Fidel. Sem Fidel fisicamente," reconheceu Chávez e indicou que na véspera teve uma conversa de seis horas com Fidel, chegando quase à metade da duração de uma das suas habituais conversações. A visita de Chávez à nação caribenha se produz a menos de uma semana da viagem do governante boliviano, Evo Morales, outro dos dirigentes aliados a Cuba e com forte discurso contra os Estados Unidos na região. "Somente a constatação obtida ontem, da recuperação do seu estado de alma, da sua eterna inteligência, da juventude das suas idéias (...) Só isso já causa na minha alma uma sensação de alívio, uma sensação de alegria e otimismo," comentou Chávez, sobre Fidel, em discurso de uma hora e meia. Um pouco após, acrescentou em tom de brincadeira: "Fidel deixou o uniforme aí do lado, olha para ele de fininho, mas ainda está esquentando. Não está pronto ainda para correr à base," disse em jargão do beisebol, jogo popular tanto em Cuba quanto na Venezuela, e do qual os dois líderes são aficionados. Tampouco se privou de mostrar o carinho por seu amigo e aliado, ao qual qualificou de "meu pai." Fidel não esteve presente à inauguração da estátua de Miranda, que viveu em Cuba e em 1783 fugiu para os Estados Unidos, após romper com seus chefes do exército espanhol. Perto de completar 81 anos, o líder barbudo não aparece em público há mais de 10 meses, quando em julho passado delegou o poder a seu irmão Raúl e a um grupo de funcionários graduados, para sofrer cirurgias. Um comunicado oficial indicou que Fidel Castro e Chávez analisaram na reunião o avanço do Acordo Bolivariano das Américas (Alba), um convênio de integração e cooperação regional, do qual são membros plenos também a Bolívia e a Nicarágua, e que beneficia a outros países com programas de apoio. A Alba busca desarticular a estratégia estadunidense de tratados bilaterais de livre comércio, considerada por muitos como uma tática de Washington para favorecer as grandes empresas e a setores já enriquecidos, sem levar em conta as necessidades dos mais pobres. Chávez chegou a Cuba de improviso na terça-feira, após ser convidado por Fidel.

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