REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
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Chavismo acusa oposição de fraude em pedido de referendo contra Maduro

Chefe de comissão governista criada por presidente afirma que mais de 40% das assinaturas coletadas pela coalizão Mesa da Unidade Democrática não cumprem requisitos para convocar votação; crise leva Lufthansa a anunciar fim de seus voos ao país

O Estado de S. Paulo

30 Maio 2016 | 05h00

CARACAS - O governo venezuelano acusou ontem a oposição de ter cometido fraudes na coleta de assinaturas para exigir a convocação de um referendo revogatório contra o presidente Nicolás Maduro. Jorge Rodríguez, chefe de uma comissão criada pelo próprio líder chavista, afirmou que mais de 40% das firmas são inválidas legalmente.

Em entrevista a uma emissora governista, Rodríguez questionou o “valor jurídico e administrativo” dos trâmites realizados pela coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) para convocar a votação que poderia remover Maduro do cargo. 

O chavismo tenta evitar que o referendo ocorra ainda este ano, quando um resultado negativo para o presidente obrigaria o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) a convocar novas eleições. Os governistas tentam empurrar a decisão para 2017 quando, segundo a Constituição, Maduro seria substituído pelo vice, Aristóbulo Istúriz, em caso de derrota.

Em maio, a MUD entregou ao CNE 1,8 milhão de assinaturas pedindo a realização da consulta popular – o mínimo exigido para iniciar o andamento do processo é de 200 mil. 

O deputado Julio Borges, da MUD, afirmou que a coalizão deve se reunir amanhã com integrantes do CNE para decidir como será feita a confirmação de 200 mil assinaturas por meio de impressões digitais.

Também ontem, o presidente do Legislativo venezuelano, o opositor ao chavismo Henry Ramos Allup, pediu à Organização dos Estados Americanos (OEA) espaço para discursar e apresentar a situação crítica de seu país diante do Conselho Permanente do órgão.

Isolamento. A companhia aérea alemã Lufthansa anunciou ontem a suspensão de seus voos à Venezuela em razão da crise econômica e política que o país enfrenta, e do controle cambial em vigor, afetado pela queda dos preços do petróleo.

Em outubro, as brasileiras Gol e Latam reduziram drasticamente a frequência das rotas para Caracas. A primeira cortou de 11 para 4 as viagens semanais, e a segunda passou a operar apenas aos sábados.

“Decidimos suspender a partir de 17 de junho os voos entre Frankfurt e Caracas até nova ordem”, afirmou um porta-voz da companhia. A Lufthansa realizava, até ontem, três voos semanais à capital venezuelana.

A decisão, segundo a companhia, se deve à “difícil situação econômica” e ao fato de não ser possível transferir as divisas estrangeiras para fora do país “em razão do controle de câmbio que se introduziu nos últimos anos e impede as empresas estrangeiras de converter suas receitas locais em dólares para depois repatriá-las”, acrescentou o porta-voz.

A Venezuela dispõe das maiores reservas de petróleo do mundo e o recurso é responsável por cerca de 96% das receitas em dólar do governo. A queda recente dos preços do petróleo no mercado internacional afetou seriamente a capacidade do governo de se financiar. /AFP E EFE 

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