Chavismo acusa supermercados de causar filas

Governo venezuelano diz que empresas mantêm metade dos caixas fechados para criar insatisfação popular e ameaça ocupá-los com partidários

O Estado de S.Paulo

26 Setembro 2013 | 02h06

CARACAS - O governo da Venezuela denunciou ontem supermercados privados acusados de manter fechados 50% de seus caixas para criar filas e o ampliar o descontentamento da população. O Palácio de Miraflores prometeu substituí-los por membros da milícia bolivariana, grupo de civis armados partidários do chavismo.

Em razão da escassez de dólares, da desvalorização do bolívar e da inflação, os venezuelanos têm sofrido com o desabastecimento de alimentos e bens de primeira necessidade importados.

A Superintendência Nacional de Custos e Preços da Venezuela (Sundecop) e o Órgão Superior de Defesa Popular da Economia argumentam que os estabelecimentos privados pretendem criar uma sensação de descontentamento entre os consumidores. Segundo funcionários da entidade, foram verificadas irregularidades no horário de abertura das lojas.

"Conseguimos localizar produtos (com preços) regulados em alguns depósitos, mas os supermercados não os ofereciam ao público. Por isso, decidimos supervisionar as vendas, como prevê a lei", disse Xiomara Duque, da Sundecop.

O monitoramento dos supermercados está em vigor nos Estados de Táchira, Trujillo e em Caracas. Ontem, cerca de 20 fiscais do governo percorreram mercados em Cristóbal Rojas, na Grandes Caracas, para verificar denúncias de ágio.

Em distribuidoras de alimentos, são exigidas notas fiscais para impedir que as mercadorias sejam repassadas a vendedores informais e tentar coibir o sobrepreço.

Estímulo. Ao mesmo tempo, o governo autorizou ontem a desoneração para a importação de bens de higiene pessoal de primeira necessidade, como sabonetes, papel higiênico, pasta de dente e fraldas, um dos que mais sofrem com a escassez no país. O corte no Imposto de Valor Agregado entrará em vigor por um ano, informou o jornal venezuelano El Universal.

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