REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

Chavismo ameaça estatizar empresas que apoiarem greve contra Maduro

Em meio à tensão provocada pelos protestos de quarta-feira, simpatizantes do chavismo vetam acesso de deputados à Assembleia e chavismo pede que trabalhadores não atendam ao chamado de paralisação geral feito pela oposição venezuelana

O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2016 | 19h46

CARACAS  - Na véspera da greve geral convocada pela oposição para pressionar pela renúncia do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, o deputado Diosdado Cabello, número dois do chavismo, ameaçou nesta quinta-feira, 27, estatizar todas as empresas que aderirem ao protesto. Na sede da Assembleia Nacional, deputados opositores foram hostilizados por militantes chavistas e tiveram de ser escoltados por policiais para dentro do prédio.

“Aos empresários: se a sua empresa parar amanhã, vamos tomar essa empresa”, disse Cabello, que avisou que o governo não permitirá a marcha da oposição até o Palácio de Miraflores, sede do Executivo, marcada para o dia 3. “Digo-lhes uma coisa: vocês estão bem f... Vocês irão para lá acreditando que derrubarão Maduro e nós garantiremos que vocês não vão.”

A ameaça foi feita um dia depois de centenas de milhares de pessoas saírem às ruas contra o chavismo e a oposição convocar uma greve geral para amanhã e um novo protesto com destino à sede do Executivo na próxima quinta-feira. 

Em mais um sintoma da tensão entre o chavismo e a oposição, partidários do governo tentaram impedir a chegada de deputados da Mesa de Unidade Democrática (MUD) ao Parlamento, que debateria a responsabilidade do presidente Nicolás Maduro pela crise no país.

Os opositores haviam exortado seus seguidores a se reunirem do lado de fora da sessão parlamentar para demonstrar apoio, mas dezenas de simpatizantes do chavismo impediram a entrada de deputados da oposição e jornalistas na Assembleia Nacional. Eles tentaram invadir o prédio, mas foram impedidos pela Guarda Nacional Bolivariana. Alguns deles continuam nos arredores do prédio para impedir a entrada dos parlamentares. 

Os manifestantes gritavam palavras de ordem em respaldo ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e asseguraram que a Assembleia é ilegítima e não a reconhecem. / AFP, EFE e REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.