AFP PHOTO / FEDERICO PARRA
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Chavismo antecipa para até abril eleições presidenciais na Venezuela

Crise econômican no país tem se agravado nos últimos meses após sanções impostas pelos Estados Unidos terem dificultado transações e o refinanciamento do governo e da estatal do petróleo PDVSA

O Estado de S.Paulo

23 Janeiro 2018 | 15h20
Atualizado 23 Janeiro 2018 | 20h13

CARACAS - Assembleia Nacional Constituinte (ANC) da Venezuela aprovou nesta terça-feira, dia 23, a antecipação das eleições presidenciais, previstas para dezembro, para no máximo 30 de abril. Agora, caberá ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE) definir a data da votação – aprovação que é considerada mera formalidade. 

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O anúncio foi feito pelo número dois do chavismo, Diosdado Cabello, ao ler o decreto aprovado de forma unânime pela Constituinte – criada em julho e criticada por “usurpar as funções da Assembleia Legislativa”, controlada pela oposição.

As eleições presidenciais estavam previstas para o fim do ano, mas analistas e opositores advertiam que o governo provavelmente as adiantaria o processo para aproveitar a crise de credibilidade e divisões internas da coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD).

A presidente da ANC, Delcy Rodríguez, qualificou a aprovação de “decisão histórica. “Em apenas oito meses, é a quarta eleição na Venezuela”, disse. Cabello confirmou que o presidente Nicolás Maduro será o candidato do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV). “Não vamos ter problemas, temos apenas um candidato para continuar com a revolução”, manifestou, enquanto o plenário gritava: “Nicolás, Nicolás”.

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Maduro declarou-se preparado para lançar sua candidatura nesta terça-feira, dia 23. “Sou um humilde trabalhador e humilde homem do povo. Se o Partido Socialista Unido da Venezuela crê que devo ser o candidato dos setores revolucionários, estou às ordens”, declarou Maduro em Caracas. 

Segundo Cabello, o processo eleitoral será antecipado como resposta sanções impostas contra a Venezuela e vários de seus funcionários por parte dos Estados Unidos e da União Europeia, “com o objetivo de buscar a mudança de governo”. “Se o mundo quer aplicar sanções, nós aplicaremos eleições. Poderes imperiais desataram uma campanha sistemática e de ódio contra a Venezuela”, acrescentou o dirigente chavista.

Na segunda-feira, a UE aprovou sanções contra sete funcionários venezuelanos de alto escalão, entre eles Cabello, o que o governo venezuelano qualificou de um “golpe ao diálogo” que vinha mantendo desde 1.º de dezembro com delegados da MUD na República Dominicana.

A realização de eleições presidenciais “livres” e “justas” é uma das reivindicações da oposição no diálogo político com o governo, bem como uma nova composição do Conselho Nacional Eleitoral. 

O opositor venezuelano no exílio Antonio Ledezma considerou nesta terça-feira, dia 23, que as eleições presidenciais antecipadas, se forem compostas apenas por governistas, não terão validade legal e pediu à oposição que não apresente candidatos.

Ao justificar a proposta de antecipação, Cabello argumentou que a oposição se retirou do diálogo com “desculpas fúteis”, se referindo à ausência da MUD na quarta rodada que estava prevista para quinta-feira, à qual faltou alegando que a maioria dos chanceleres dos países mediadores não compareceria.

A crise econômica na Venezuela tem se agravado nos últimos meses, após sanções impostas pelos EUA terem dificultado transações e o refinanciamento do governo e da estatal do petróleo PDVSA. Nas últimas semanas, a impressão de dinheiro sem lastro pelo Banco Central da Venezuela tem aumentado exponencialmente, em um cenário de hiperinflação. A produção de petróleo também vem caindo em razão da falta de investimentos da PDVSA. / AFP, EFE e REUTERS

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