Chavismo anula triunfo de governador opositor rebelde

Chavismo anula triunfo de governador opositor rebelde

Eleito para governar Estado de Zulia perde mandato por não jurar fidelidade à Constituinte

O Estado de S.Paulo

26 Outubro 2017 | 19h56

CARACAS - O chavismo destituiu nesta quinta-feira, 26, o único governador eleito pela coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) que se recusou a reconhecer a Assembleia Nacional Constituinte controlada pelo governo. Juan Pablo Guanipa teve o mandato cassado pela Assembleia Legislativa do Estado de Zulia, que é controlada pelo governo. 

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“Eles realizaram uma sessão expressa secreta para removê-lo”, disse a porta-voz de Guanipa, Erika Gutierrez, sobre o encontro do Legislativo estadual pela manhã. 

A cassação ocorre em meio a uma cisão da própria MUD. A Ação Democrática (AD), partido dos outros quatro governadores eleitos, chefiada pelo ex-presidente da Assembleia Nacional Henry Ramos Allup, reconheceu a Constituinte, o que provocou enormes críticas no bloco opositor. 

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O principal líder antichavista, Henrique Capriles, rompeu com a MUD após essa decisão e o destino de outras lideranças é incerto. O partido de Capriles, o Primero Justicia, é o mesmo de Guanipa.

Os governadores que reconheceram a Constituinte chavista são Antonio Barreto, do Estado de Anzoátegui, Alfredo Díaz, de Nueva Esparta, Ramón Guevara, de Mérida, e Laidy Gómez, de Táchira. 

Especialistas dizem que a decisão da AD pode envolver uma aspiração de Ramos Allup para disputar a sucessão de Maduro, que, em tese, deve ocorrer no ano que vem. Apesar de pesquisas de opinião indicarem uma vitória da oposição com maioria confortável por conta da indignação popular com a brutal crise econômica da Venezuela, a oposição conquistou somente 5 Estados, pouco em comparação com os 18 candidatos do PSUV, o partido de Maduro.

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Líderes da oposição culparam tanto os truques sujos do governo, incluindo alteração, no último minuto, de muitos centros de votação em áreas da oposição, quanto as abstenções de apoiadores desiludidos pelo fracasso de protestos anteriormente neste ano.

Em vantagem, o governo venezuelano informou que somente governadores que reconheceram a supremacia da Assembleia Nacional Constituinte, pró-Maduro, poderiam assumir os seus cargos.

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Voto. Também na quinta, a Assembleia Constituinte convocou eleições de prefeitos para dezembro deste ano. “A Constituinte decidiu convocar e programar para o mês de dezembro o processo eleitoral para a escolha de prefeitas e prefeitos dos municípios”, informou o texto lido na plenária do órgão. Ainda não está claro, no entanto, se a oposição boicotará a nova votação, em razão da crise interna na qual se encontra. / REUTERS e AFP

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