EFE/EPA/MIRAFLORES PALACE PRESS OFFICE
EFE/EPA/MIRAFLORES PALACE PRESS OFFICE

Chavismo barra opositores no Parlamento venezuelano

Militares impedem a entrada de ao menos 15 deputados em Palácio Legislativo que abriga também a Assembleia Constituinte

O Estado de S.Paulo

08 Agosto 2017 | 18h21

CARACAS -   Militares venezuelanos impediram a entrada de ao menos 15 deputados opositores ao Palácio Legislativo, onde foi realizada nesta terça-feira, 8, a primeira sessão da Assembleia Constituinte do presidente Nicolás Maduro, acusou a coalizão Mesa da Unidade Democrática (MUD). O presidente prometeu usar a comissão da verdade que deve ser criada pela Constituinte para julgar “qualquer um”. 

“Não nos deixam entrar no Palácio Federal Legislativo. Este governo invade os espaços que já não é capaz de ganhar legitimamente”, disse o deputado Stalin González, chefe da maioria opositora.

O prédio, localizado no centro de Caracas, amanheceu com forte presença da Guarda Nacional Bolivariana (GNB); 

Alguns jornalista denunciaram que também tiveram seu acesso impedido.

A MUD acusou a presidente da Constituinte, Delcy Rodríguez, de ter contado com apoio militar para tomar o controle na noite de segunda do salão de sessões do Legislativo.

Segundo o comunicado, Delcy Rodríguez, e outros integrantes do grupo “forçaram” a entrada com o aval do coronel Vladimir Lugo, chefe militar encarregado de proteger o local. 

Na sessão da tarde, a Constituinte definiu que todos os agentes do poder público venezuelano serão subordinados a ela. A tendência, para analistas, é de uma radicalização ainda maior do regime chavista. “A comissão da verdade poderá julgar qualquer um”, disse o presidente. 

Desde a votação que instalou a Constituinte -boicotada pela MUD e montada de maneira a favorecer o governo - o chavismo tirou do cargo a procuradora-geral Luisa Ortega Díaz, crítica do governo, e ameaçou tirar a imunidade parlamentar de deputados da oposição. 

Prisão. Na madrugada de ontem, O prefeito do município de Chacao, um reduto opositor em Caracas, Ramón Muchacho, foi condenado a 15 meses de prisão pelo Tribunal Supremo de Justiça (TSJ).

A decisão, anunciada após mais de seis horas de deliberações, determina ainda a destituição do prefeito por “falta absoluta” e sua “inabilitação política”. Muchacho, advogado de 44 anos, é o quarto prefeito de oposição a ser condenado nos últimos dias pela Justiça venezuelana.

Um deles, Carlos García, está fora do país; outro, Alfredo Ramos, foi preso pelo serviço de inteligência em Caracas, e Gustavo Marcano fugiu do país. Em sua decisão, o TSJ também citou David Smolansky, outro opositor que governa o município de El Hatillo, que deve ser julgado na quarta-feira.

Em sua conta no Twitter, Muchacho divulgou um comunicado reagindo à sentença do TSJ. “Nos condenam por fazer nosso trabalho, por garantir o legítimo direito aos protestos pacíficos e ao exercício dos direitos civis e políticos dos venezuelanos”, escreveu o opositor. “Nos condenam por lutar por uma mudança na Venezuela.”/ AFP, BLOOMBERG E EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.