Chavismo busca barrar ascensão de líderes opositores

Governo venezuelano manobra para evitar que nome forte contra Chávez seja capaz de polarizar disputa eleitoral

, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2010 | 00h00

María Corina Machado, candidata à Assembleia Nacional nas eleições de amanhã pelo Distrito de Miranda, tem despontado como o nome mais destacado da oposição ao Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), de Hugo Chávez. Tornou-se conhecida como presidente da ONG Súmate, que liderou a campanha de assinaturas para levar Chávez ao referendo revogatório - ao final, favorável ao presidente -, em 2004.

Apresentando-se como independente, sua plataforma de oposição é clara. "No domingo, os venezuelanos poderão escolher entre dois modelos de sociedade: um centralista e militarista, que vem concentrando poder e cerceando liberdades, e um descentralizado, com instituições democráticas e sólidas."

Desde 1999, quando Chávez chegou ao poder, não é a primeira a apresentar credenciais de liderança para enfrentar o governo. "É parte importante da estratégia chavista não permitir que nenhum líder opositor se destaque a ponto de ameaçar o status atual", declara ao Estado o professor de Ciências Sociais da Universidade Central, Luis Guerra. "Todos, de líderes sindicais a dirigentes estudantis, que ousaram atrair mais atenção da população do que Chávez atrai, acabaram se tornando alvo de uma campanha de difamação ou da simples perseguição política."

A ideia, diz o professor, é impedir que a oposição possa ter um nome forte que polarize uma disputa com Chávez. A última promessa de liderança, Manuel Rosales, derrotado pelo presidente nas eleições de 2006, articulava uma frente opositora viável para 2012. Venceu a eleição para o governo de Zulia - o Estado mais rico do país - em 2008, mas acabou alijado do processo político e acusado de enriquecimento ilícito com base em provas contestadas pela oposição. No ano passado, asilou-se no Peru.

Yon Goicoechea, líder estudantil da Universidade Católica Andrés Bello, que aos 23 anos liderou a bem-sucedida campanha de resistência a uma reforma política proposta por Chávez e derrotada em referendo em 2007 - no único revés eleitoral do chavismo até agora -, praticamente desapareceu da cena política após a campanha de desmoralização promovida pelo governo. Seu crime: recebeu um prêmio em dinheiro de US$ 500 mil da Fundação Milton Friedman.

Outra jovem promessa, Leopoldo López, ex-prefeito de Chacao, ficou fora das eleições regionais de 2008 depois de ter os direitos políticos suspensos, sob acusação de ter praticado "irregularidades administrativas".

"Por meio da perseguição e eliminação política de novos líderes, o chavismo dá à oposição a face dos chamados políticos tradicionais, que têm ampla rejeição por parte da população", afirma um dirigente da sociedade civil venezuelana que pediu para não ter o nome divulgado."

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