Chavismo convida Vaticano para intermediar negociação com oposição

Participação da Igreja no diálogo é reivindicação de líderes oposicionistas para negociar com Maduro

O Estado de S. Paulo,

09 de abril de 2014 | 14h56

CARACAS - O governo da Venezuela convidou formalmente nesta quarta-feira, 9, o cardeal Pietro Parolin, considerado o número dois na hierarquia do Vaticano, para mediar as conversas com a oposição, na esperança de conter a violência que já matou 39 pessoas nos piores distúrbios no país em uma década.

Em uma carta, o governo do presidente Nicolás Maduro pediu que Parolin, ex-enviado à Venezuela e atual secretário de Estado do Vaticano, seja nomeado "testemunha de boa fé" para um diálogo com o qual as duas partes finalmente concordaram depois de dois meses de protestos.

Um porta-voz do Vaticano confirmou a disposição da Igreja de mediar a conversa, mas não deu mais detalhes. Parolin, que representou o Vaticano na Venezuela entre 2009 e 2013, é um diplomata de carreira frugal e avesso à publicidade.

A coalizão de oposição da Venezuela havia indicado que o atual enviado do Vaticano, Aldo Giordano, participaria das primeiras conversas formais, que devem começar nesta quinta-feira em Caracas. Os dois funcionários da Santa Sé são italianos.

O governo e a coalizão opositora Mesa de União Democrática (MUD) tiveram um primeiro encontro preliminar na terça-feira 8, concordando em iniciar um diálogo formal sobre problemas que vão do crime e das questões econômicas à detenção de manifestantes.

Entretanto, manifestantes radicais não estão contentes com as conversas, dizendo que não deveria haver diálogo enquanto um dos líderes dos protestos, o ex-prefeito Leopoldo López, e outros continuarem na prisão. "Não acreditamos em um 'diálogo' que o regime pretende ser um show político... nossa organização não irá chancelar nenhum diálogo com o regime enquanto a repressão, o aprisionamento e a perseguição de nosso povo continuarem", disse o partido Vontade Popular, de López.

Com as Forças Armadas aparentemente ao seu lado e a oposição incapaz de atrair os milhões que esperava, Maduro não parece estar ameaçado, mas enfrenta um desafio considerável para remediar algumas das causas da crise, como a maior inflação das Américas, falta de produtos básicos, um setor privado hostil e índices de violência que estão entre os mais altos do mundo.

Centenas de pessoas foram feridas e presas desde que os protestos começaram. Entre os mortos, estão apoiadores de Maduro, oposicionistas e membros das forças de segurança.

Chanceleres da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) estão mediando as conversas./ REUTERS

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