Miraflores Palace/Handout via REUTERS
Miraflores Palace/Handout via REUTERS

Chavismo defende mais ajuda militar de aliados para evitar 'guerra civil'

Comandante militar discursa ao lado do presidente Maduro e garante que, apesar do apoio recebido de Cuba, China, Rússia entre outros, comando do país segue nas mãos dos venezuelanos

Pablo Pereira, Enviado Especial a Caracas

02 de maio de 2019 | 09h20
Atualizado 02 de maio de 2019 | 22h11

CARACAS - A cúpula militar do governo da Venezuela concentrou nesta quinta-feira, 2, seus esforços de articulação e propaganda de reação à onda de protestos da oposição com imagens do Nicolás Maduro cercado por comandantes militares logo ao amanhecer, na Academia Militar de Caracas, falando e caminhando com militares leais. 

Logo pela manhã, o chefe do Comando Militar Operacional, Remigio Ceballos, defendeu que a Venezuela receba ajuda militar de países aliados para resistir contra o que o governo chama de “tentativa da oposição de tomar o poder pela força e forçar uma “guerra civil”. “Por que não podemos receber, se têm experiência de combate?”, questionou Ceballos ao lado de Maduro, no início da manhã, em uma instalação militar de Caracas. “Podemos receber assessoramento, mas não nos deixamos mandar por ninguém”, disse Ceballos, que na prática comanda as operações militares do país.

Ceballos tentava justificar informações de que militares cubanos e assessores russos reforçam o esquema de proteção do governo contra a oposição na repressão aos protestos dos opositores. Segundo o comando militar venezuelano, há mais de 200 presos no país. O ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, que também discursou no mesmo local, chamou os presos de “traidores”.

A frase do comandante é uma mistura de pedido real e de retórica. “Há planos para um confronto com os Estados Unidos e uma questão de resistência a longo prazo, e as Forças Armadas estão de fato sucateadas”, afirma o professor de Relações Internacionais Oliver Stuenkel, coordenador da Escola de Ciências Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV). “Mas isso tem um elemento retórico de mobilizar os nacionalistas e os chavistas, a tese de que o país está sob ataque, e isso tem funcionado muito bem, prolongado a resistência de Maduro no poder, porque unifica um dos lados do país.”

Nesta quinta-feira, 2, durante uma solenidade em Cuba, o embaixador da Venezuela, Adan Chávez, também comentou a ajuda externa ao regime Maduro. Segundo o diplomata venezuelano, não há ingerência cubana na Venezuela porque os dois países exercem uma política de cooperação em diversos setores. Tentando demonstrar controle do país, Maduro quer empurrar o ônus político dos danos das manifestações de 30 de abril e 1.º de Maio para a oposição. Um diplomata brasileiro ouvido pelo Estado, em condição de anonimato por não estar autorizado a dar entrevistas, afirmou haver certo desgaste dos líderes da oposição depois da tentativa de Guaidó de demonstrar apoio militar. / COLABOROU RODRIGO TURRER

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