Carlos Garcia Rawlins / Reuters
Carlos Garcia Rawlins / Reuters

Chavismo desmonta acampamentos anti-Maduro e prende 243 estudantes

Guarda Nacional Bolivariana avança sobre últimos redutos fixos de protesto contra o governo, sob alegação de que concentravam drogas e armas

O Estado de S. Paulo,

08 Maio 2014 | 11h34

(Atualizada às 23h30) CARACAS - A Guarda Nacional Bolivariana (GNB) da Venezuela avançou na madrugada de quinta-feira, 8, contra os últimos redutos fixos de protesto contra o governo do presidente Nicolás Maduro e deteve 243 jovens acampados em quatro pontos de Caracas. Um policial de 26 anos, identificado como Jorge Tovar, morreu com um tiro. Outros três ficaram feridos.

Por volta das 3 horas, centenas de policiais da GNB desmontaram os acampamentos onde os opositores mantinham uma "resistência pacífica" havia algumas semanas, como alternativa aos protestos que deixaram 42 mortos desde fevereiro - incluindo o policial desta quinta.

"Havia evidência de que destes locais estavam saindo grupos mais violentos para cometer atos terroristas, incendiar cabines de metrô, incendiar viaturas da polícia", afirmou o ministro do Interior e Justiça, Miguel Rodríguez, à televisão estatal. "Foram apreendidos drogas, armas, explosivos, morteiros e granadas lacrimogêneas. Tudo isso era utilizado no dia a dia para enfrentar as forças de segurança."

Em mensagem de texto enviada para a agência Reuters, um dos detidos negou a versão oficial. "Fomos brutalmente reprimidos. Agora apresentam desculpas como drogas e armas. Faço um pedido de auxílio ao mundo para que observe esta ditadura", disse Francia Cacique, de 24 anos, coordenadora de um dos acampamentos.

O governador do Estado de Miranda, Henrique Capriles, um dos principais nomes da oposição venezuelana, usou sua conta no Twitter para defender a libertação dos estudantes. "Todos os estudantes detidos devem ser liberados! O protesto pacífico é um direito garantido pela Constituição", escreveu. "Todos os dias nosso país amanhece com mais mortos, mais desaparecidos, mais repressão e mais detidos por protestar. Ao que estão no poder: já basta!"

Outro nome de peso entre os antichavistas, o prefeito do Distrito metropolitano de Chacao, César Miguel Rondón, exigiu que as autoridades "garantissem todos os direitos humanos e o devido processo legal" aos jovens. O ministro Miguel Rodríguez afirmou que os direitos dos detidos foram respeitados.

Em entrevista ao jornal El Universal, uma estudante de pedagogia afirmou temer que o governo criasse provas para classificar o movimento como terrorista ou paramilitar. "Tememos que plantem armas ou explosivos para nos culpar", disse Geraldine Molina.

 

Sanções dos EUA. Para analistas, a detenção de centenas de estudantes pode dar novo fôlego aos protestos contra o governo de Maduro. "Em nenhuma parte do mundo agir contra estudantes será uma medida popular, independentemente da justificativa que exista ou que seja construída", afirmou o sociólogo e diretor do instituto de pesquisa Datanálisis, Luis Vicente León.

Nesta quinta, na Comissão de Relações Exteriores do Senado americano, a subsecretária de Estado dos EUA para América Latina, Roberta Jacobson, disse que o país estuda o uso de sanções contra a Venezuela e possíveis medidas serão tomadas quando for a "hora certa", mas esse momento ainda não chegou.

A Mesa da Unidade Democrática (MUD), principal coalizão de oposição do país, disse ser contra sanções dos EUA aplicadas diretamente contra a Venezuela. / REUTERS, AFP e EFE

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