Chavismo e oposição marcam marchas simultâneas para o centro de Caracas

Governo e oposição medem forças hoje em Caracas em duas manifestações de seus líderes e militantes. A marcha convocada pelo presidente Nicolás Maduro será contra o "fascismo" da oposição. A da frente antichavista, contra "repressão, tortura e terror" atribuídos ao governo.

DENISE CHRISPIM MARIN, ENVIADA ESPECIAL / CARACAS, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2014 | 02h03

As manifestações ocorrerão a três dias do início dos trabalhos da comissão de chanceleres da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) em Caracas e no final de uma semana na qual a oposição sofreu duros golpes do governo de Maduro.

Há expectativa de choque entre militantes dos dois lados. A oposição pretende reunir cinco marchas, provenientes de diferentes partes da zona metropolitana de Caracas, diante da sede do Ministério Público, no Parque Carabobo. Os governistas marcharão a partir da Praça Venezuela, a três quilômetros da concentração oposicionista. A chegada será na sede do governo, o Palácio de Miraflores, local ao qual a oposição não pode se aproximar, sob risco de agressão das forças de segurança e dos grupos de civis armados, os "coletivos".

Como desafio aos estudantes universitários que há mais de um mês se mobilizam em marchas e barricadas contra seu governo, Maduro convocou os alunos da Universidade Nacional Experimental das Forças Armadas para sua manifestação de hoje.

"Devemos manter permanente mobilização de todos os setores sociais e forças políticas em respaldo à paz e contra o fascismo", declarou Maduro.

A marcha da oposição foi convocada no dia 18, quando se completou um mês da prisão do líder do Vontade Popular, Leopoldo López. No dia seguinte, o protesto foi confirmado, quando foram reveladas as prisões de dois prefeitos da oposição - Daniel Ceballos, de San Cristóbal, e Enzo Scarano, de San Diego. Outro prefeito venezuelano, Ramón Muchacho, de Chacao - assim como Ceballos e Scarano - está sendo investigado por dar apoio às barricadas de estudantes da oposição e por rebelião contra o Estado. Ameaçado de seguir o mesmo caminho da prisão, ele recebeu ontem o apoio da Câmara de Vereadores de seu município.

De acordo com informações do jornal venezuelano El Nacional, a Sala Constitucional do Tribunal Supremo de Justiça "convocou" Ceballos para uma audiência judicial. O documento elaborado pela corte para a convocação indica que o prefeito de San Cristóbal deverá ter o mesmo destino que Scarano, "que foi destituído e condenado a 10 meses de prisão por desacato", segundo informou o diário.

"Esta Sala Constitucional, em caso de ficar verificado o desacato, imporá a sanção conforme previsto no Artigo 31 da Lei Orgânica de Amparo sobre Direitos e Garantias Constitucionais (que prevê de 6 a 15 meses de prisão para os infratores)", declarou o tribunal. De acordo com os magistrados da corte, informações publicadas pela imprensa local demonstram que Ceballos infringiu seu "mandato constitucional".

EUA. Na sede da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington, a deputada opositora María Corina Machado foi impedida ontem pelo Conselho Permanente da entidade de dar sua versão sobre o cenário político da Venezuela (mais informações na página A16).

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