Chavismo e oposição se reúnem na República Dominicana para retomar diálogo

Encontro foi negociado pelo presidente Danilo Medina e o ex-premiê espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, mas MUD faz demandas para voltar à mesa de negociações

O Estado de S.Paulo

13 Setembro 2017 | 17h00

SANTO DOMINGO - Delegados do governo e da oposição da Venezuela viajaram nesta quarta-feira, 13, para a República Dominicana em mais uma tentativa de retomada de diálogo para solucioinar a grave crise política venezuelana. O encontro foi negociado pelo presidente Danilo Medina e o ex-premiê espanhol José Luis Rodríguez Zapatero e ocorre semanas depois da instalação da Assembleia Constituinte denunciada como golpe pelos antichavistas. 

O presidente Nicolás Maduro confirmou na madrugada de ontem o envio do prefeito do distrito caraquenho de Libertador, Jorge Rodríguez, ao encontro e elogiou a decisão da coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) de aceitar o convite de Zapatero. 

Delegados da MUD já se encontram na República Dominicana. Fazem parte do grupo o presidente da Assembleia Nacional, Julio Borges , os deputados Eudoro González e Luis Florido e os dirigentes Gustavo Velásquez e Timoteo Zambrano, que se reunião com Medina.

Rodríguez, por sua vez, coordenou a equipe que participou um diálogo fracassado no final de 2016. Desde a posse de Maduro, que chegou ao poder em 2013, outras tentativas de diálogo fracassaram, como as negociações que se seguiram aos protestos de rua de 2014, intermediadas pelo Vaticano. 

Mais de uma vez a MUD acusou o chavismo de tentar ganhar tempo com as propostas de diálogo, sem ter a real intenção de fazer concessões. Borges advertiu nesta quarta que um diálogo formal só será possível se Maduro cumprir com as exigências da MUD e se houver um acompanhamento internacional. Entre essas exigências, o Parlamento enumerou um cronograma eleitoral, que inclua presidenciais até o final de 2018, a libertação de 590 presos políticos e o respeito ao Legislativo.

“Posso dizer que muitos dos pontos que estão na agenda e que certamente serão discutidos hoje, por isso estamos muito perto de conseguir” disse Rodríguez, que estava acompanhado de sua irmã, Delcy Rodríguez, presidente da Assembleia Constituinte.

Em nota, a MUD ressaltou que o envio da delegação não representa o início de um diálogo formal com o governo". “Para um diálogo devem estar envolvidos o Vaticano, a ONU, os governos democráticos com peso no mundo e haver uma agenda clara e com garantias. Se isso é possível? Maduro tem a resposta”, disse o líder opositor Henrique Capriles. 

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, por sua vez, manifestou seu pleno apoio à iniciativa de um diálogo na Venezuela, destacando que a crise naquele país exige uma "solução política baseada no diálogo". 

Guterres exortou o governo e a oposição a "aproveitar esta oportunidade para demonstrar seu compromisso em abordar os desafios do país através da mediação e de meios pacíficos".

Na segunda-feira, o papa Francisco pediu às Nações Unidas que ajudem a Venezuela ante a crise que o país enfrenta./ AFP e EFE

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