Ariana Cubillos/AP
Ariana Cubillos/AP

Chavismo e rivais se acusam por saques

Maduro afirma que opositores estão por trás da onda de roubos em lojas de departamentos desde redução por decreto no preço de produtos e Capriles diz que chavistas provocam ‘anarquia’ nas ruas

O Estado de S. Paulo,

13 de novembro de 2013 | 23h16

CARACAS - O governo e a oposição da Venezuela trocaram na quarta-feira, 13, acusações sobre a origem dos saques a lojas de eletrodomésticos. Eles têm ocorrido esporadicamente no país depois que o presidente Nicolás Maduro anunciou reformas econômicas que reduziram drasticamente por decreto o preço de bens de consumo duráveis.

Maduro responsabilizou partidários da oposição pela depredação de algumas lojas em cidades como Valencia e Caracas. O líder antichavista, Henrique Capriles, por seu lado, disse que é o governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) quem tumultua as filas para responsabilizar a oposição. "Peço ao povo paz, que não caia em provocações", disse Maduro. "Se você vir um parasita amarelo (referência chavista aos opositores) quebrando uma vidraça, entregue-o às autoridades."

Capriles respondeu às acusações por meio do Twitter. "Todos os focos de saques, anarquia e caos são dirigidos pelo PSUV para depois jogar a responsabilidade em cima de nós. Fiquem alertas", escreveu.

Maduro voltou a pedir paciência da população para a compreensão de seu plano econômico, que tem como principais objetivos combater o que chama de "guerra econômica" da oposição contra seu governo e aprofundar a revolução bolivariana idealizada por Hugo Chávez.

"Há venezuelanos que enfrentam a sabotagem econômica, mas não creem nela", acrescentou o presidente. "Imaginem até que ponto pode chegar o peso da intriga e da mentira. Não podemos descansar nem um minuto. Precisamos denunciar quem prejudica a pátria."

Capriles acusa Maduro de transformar a Venezuela no país do mercado negro. "Não vamos defender nunca os especuladores, mas também não podemos defender um governo que nos levou a essa situação", afirmou. "Essa crise não se resolve com decretos, nem com o uso do Exército para impedir saques. Quem saqueia o país todos os dias é o governo."

Para combater a escassez de dólares, o desabastecimento, a inflação e uma valorização do dólar no câmbio negro de quase dez vezes o valor oficial, Maduro anunciou na última semana uma série de medidas. A última delas foi o corte por decreto de até 70% no preço de eletrodomésticos e produtos eletrônicos. A decisão motivou uma corrida às lojas, algumas das quais ocupadas por militares. Nos últimos quatro dias os venezuelanos têm dormido nas ruas para comprar TVs, geladeiras e fogões.

Bônus. O governo também vai emitir US$ 4,5 bilhões em títulos da dívida da estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) com vencimento em 2024, 2025 e 2026 para financiar o Estado venezuelano e projetos petroleiros. A maior parte dos papéis - cerca de US$ 3 bilhões - será oferecida diretamente aos principais fornecedores da empresa. O US$ 1,5 bilhão restante será transferido diretamente ao Banco Central da Venezuela.

"Será a primeira vez que vemos um pagamento direto a fornecedores dessa forma. Pagar com bônus é um substitutivo para pagamentos em dinheiro", disse a estrategista-chefe do Banco Jefferies, Siobhan Morden. Segundo o ministro do Petróleo e presidente da PDVSA, Rafael Ramírez, a empresa decidiu voltar ao mercado de títulos para honrar compromissos de fim de ano. / EFE, REUTERS e AP

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