EFE/ MIGUEL GUTIERREZ
EFE/ MIGUEL GUTIERREZ

Chavismo falha em troca de metade das cédulas

Prazo inicial dado pelo governo venezuelano para abolir notas de 100 bolívares se esgota sem que cidadãos consigam depositar seus maços

Claudia Müller, O Estado de S.Paulo

16 Dezembro 2016 | 05h00

O último dia para a troca das notas de 100 bolívares na Venezuela terminou nesta quinta-feira e muitos não conseguiram se livrar dos bilhetes. Após uma semana em que milhares foram ao banco depositar as notas que o governo vai abolir, quem fez saques foi surpreendido ao receber as mesmas notas das quais penou para se desfazer. Essas cédulas, 48% do montante em circulação, não são mais aceitas em estabelecimentos comerciais.

 Os venezuelanos não viram em circulação as novas notas de valor maior que deveriam ter sido lançadas nesta quinta-feira. “Esse é o enredo: por um lado, depositamos o dinheiro e, por outro, os caixas devolvem as mesmas notas de 100. As novas ainda não chegaram”, explica um DJ morador da região metropolitana de Caracas, que não quis se identificar por temer retaliação.

Segundo ele, há tensão diante dessa necessidade de nova moeda e retirada da nota de 100, com valor equivalente a US$ 0,02 no mercado negro. “Tudo é muito triste, já temos inflação, falta de comida e agora isso. Nem sei o que pode acontecer amanhã (hoje), as pessoas vão explodir a qualquer momento”, lamenta. 

Um dos motivos do transtorno é que muitos passaram as últimas semanas sacando dinheiro e guardando em casa. Desde que o presidente Nicolás Maduro anunciou no sábado que as notas de 100 deveriam sair de circulação, milhares formaram filas em agências bancárias, desde as primeiras horas do dia, relata a advogada venezuelana Lilian Zambrano.

“Como os caixas eletrônicos só permitem o saque de até 6 mil bolívares (US$ 1,2), se aquele for seu banco, ou 600 bolívares (US$ 0,12), se não for, as pessoas passaram a sacar muito dinheiro para guardar em casa”, explica. As retiradas poderiam somar 30 mil bolívares (US$ 6), em diversas operações. 

“Muitos caixas automáticos quebraram em razão do grande volume de dinheiro depositado e, os que estavam funcionando, tinham mais de 15 pessoas na fila, com um tempo de espera de duas ou três horas, porque essas máquinas só aceitam 200 notas por depósito”, diz Lilian. 

A medida teve impacto em outras áreas. “Os postos de gasolina não estavam abastecendo na terça-feira, por não aceitarem as notas de 100”, explica. Além disso, a plataforma eletrônica de alguns bancos entrou em colapso e os cartões de débito pararam de funcionar. Segundo o FMI, a inflação neste ano no país será de 720%.

 

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