REUTERS/Daniel Tapia
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Chavismo impede Juan Guaidó de exercer cargos públicos na Venezuela por 15 anos

Anúncio foi feito pelo controlador-geral Elvis Amoroso na TV estatal venezuelana, que acusou o líder opositor de receber dinheiro não declarado de ‘instâncias internacionais e nacionais’

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2019 | 14h22
Atualizado 28 de março de 2019 | 16h13

 CARACAS - O líder opositor venezuelano, Juan Guaidó, foi impedido de exercer cargos públicos por 15 anos, anunciou nesta quinta-feira, 28, a Controladoria-Geral da Venezuela. O anúncio foi feito pelo controlador-geral Elvis Amoroso na TV estatal venezuelana.   

Segundo Amoroso, Guaidó, que preside a Assembleia Nacional, controlada pela oposição, e se declarou presidente interino do país em janeiro apresentou "inconsistências" em suas declarações de renda

Ainda de acordo com o controlador, Guaidó teria recebido dinheiro de "instâncias internacionais e nacionais" que não foram declaradas.

O opositor afirmou que não vai reconhecer a punição, uma vez que, segundo ele, o governo chavista é ilegítimo e usurpador. "Ele nem é controlador, uma vez que quem designa o controlador é a Assembleia Nacional", disse Guaidó.

Duelo de versões

O chavismo anulou as competências legislativas do Parlamento poucos meses depois da vitória da oposição nas eleições de 2015, ao alegar fraudes eleitorais que nunca foram comprovadas. Além disso, antes da posse da nova legislatura, o Parlamento antigo acelerou a troca de juízes e outros ministros que deveriam ser designados pelo Legislativo. Com isso, a Assembleia continuou se reunindo, mas sem o poder de promulgar leis. 

Com a reeleição de Maduro em 2018, marcada por denúncias de fraude, na qual os principais nomes da oposição foram impedidos de concorrer, a oposição mudou de estratégia: invocando dois artigos da Constituição que tratam da vacância da presidência, Guaidó, o novo presidente da Assembleia, declarou-se interino.

Isso ocorreu porque, na visão do Parlamento, ao vencer uma eleição fraudulenta, Maduro não poderia assumir o cargo, que estaria, então, vago. Lideradas pelos Estados Unidos, parte da comunidade internacional reconheceu a manobra, mas a oposição segue sem o comando de nenhuma instituição pública federal na Venezuela. 

Ameaças dos Estados Unidos

Desde janeiro, o governo americano tem alertado o chavismo de "consequências" caso o regime agisse contra o líder opositor. Apesar disso, desde a semana passada, o presidente Nicolás Maduro ampliou a ofensiva contra o opositor. O chefe de gabinete do deputado, Roberto Marrero, foi preso. A mulher do opositor, Fabiana Rosales, disse ontem na Casa Branca que o chavismo tem intimidado parentes de Guaidó, entre eles seu irmão. 

A punição ao opositor ocorre também dias depois de a Venezuela ter recebido dois jatos militares russos com ao menos 100 militares e 35 toneladas de equipamento, o que provocou críticas dos Estados Unidos. / AFP, AP e EFE

 

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