REUTERS/Marco Bello
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Chavismo invade MP em busca de provas contra procuradora dissidente

Controlador-geral da República, Manuel Galindo, começou um auditoria no Ministério Público por supostas irregularidades administrativas, financeiras e orçamentárias na gestão de Luisa Ortega

O Estado de S.Paulo

03 Julho 2017 | 13h02
Atualizado 03 Julho 2017 | 18h13

CARACAS - O governo do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, deu nesta segunda-feira, 3, um novo passo na ofensiva contra a chavista dissidente Luisa Ortega Díaz, a procuradora-geral do país. O controlador-geral da República, Manuel Galindo, começou um auditoria no Ministério Público por supostas irregularidades na gestão de Ortega, no cargo há nove anos. A dissidente discursou na Assembleia Nacional, controlada pela oposição e pediu ao Parlamento que lute pela democracia. 

A coalizão opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD) planeja um referendo informal neste mês sobre a Assembleia Constituinte convocada pelo presidente Nicolás Maduro na Venezuela. A votação, segundo fontes da MUD, ocorrerá no dia 16. A coalizão pretende contar com o apoio de dissidentes chavistas contrários ao plano de Maduro, entre eles Ortega, para a votação. 

“Serão analisados os balanços financeiros entre janeiro de 2008 e julho de 2017”, disse Galindo. “Por isso foram instaladas comissões de investigação na sede do MP e em suas representações regionais.”

Na Assembleia Nacional, Ortega acusou a controladoria de invadir sem mandado sedes do MP em várias cidades do país. 

“É preciso acabar com essa lógica de ocupação militar do governo”, disse a chefe do MP. “Meu escritório está aberto, podem revisar todas as minhas contas desde que com respeito.”

Ortega deve comparecer amanhã a uma audiência do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) em um processo no qual também é acusada de irregularidades administrativas e no qual foi requisitado que ela passasse por uma “avaliação psiquiátrica”.

Em discurso inédito aos deputados opositores, a procuradora-geral pediu que eles defendam a democracia. “Não importa que pensem diferente de nós, devemos condenar a violência venha de onde vier”, afirmou Ortega em breve intervenção.

Ela também pediu que se faça grandes esforços para que as vias institucionais e eleitorais sejam retomadas para acabar o mais rápido possível com a violência e evitar mais mortos.

Reação. A MUD divulgou ontem um novo calendário de protestos contra o governo que inclui a realização de um referendo informal sobre a Constituinte. A votação, segundo fontes da oposição, ocorrerá no dia 16. A coalizão pretende contar com o apoio de dissidentes chavistas contrários ao plano de Maduro, para a votação. 

Maduro convocou a Constituinte durante os protestos de rua contra seu governo, que já deixaram 85 mortos no país desde abril. A Constituinte, que foi boicotada pela oposição, terá plenos poderes enquanto estiver em vigor. Tanto sua convocação, como o esquema de votação, desenhado para favorecer o chavismo, foi chamado de golpe pela MUD. 

Mesmo dentro do chavismo, a iniciativa é controvertida. Ortega, militares da reserva, ex-ministros chavistas e outros membros de baixo escalão do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) contestam a iniciativa e a descrevem como uma afronta ao legado de Hugo Chávez, que aprovou via referendo a atual Carta, em 1999.

Constituinte é defendida pela cúpula chavista, especialmente pela linha-dura, capitaneada pelo deputado Diosdado Cabello e o vice-presidente Tareck El Aissami, que consideram Ortega e os outros dissidentes “traidores e golpistas”.

Em meio à crise econômica e política que devasta o país, Maduro anunciou no domingo um aumento de 50% no salário mínimo, o terceiro aumento este ano. / AFP e EFE

 

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