Carlos Garcia Rawlins/Reuters
Carlos Garcia Rawlins/Reuters

Chavismo manobra para dar poderes especiais a Maduro em meio a crise

Deputada dissidente deve ser cassada para que governo tenha votos suficientes na Assembleia Nacional para conceder Lei Habilitante ao presidente

O Estado de S. Paulo,

12 de novembro de 2013 | 22h59

CARACAS - O governo venezuelano prepara uma manobra para obter o voto que falta na Assembleia Nacional e garantir a aprovação de uma Lei Habilitante para o presidente Nicolás Maduro. A medida prevista na Constituição permite ao presidente governar por decreto sobre temas específicos e o governo pretende aprová-la para conter a crise econômica.

O chavismo tem um voto a menos do que o necessário para aprovar a Habilitante. O deputado que falta era buscado ontem, com a provável cassação de uma dissidente chavista acusada de corrupção - María Aranguren teve sua imunidade parlamentar cassada, primeiro passo para a perda do mandato. O suplente é favorável à concessão dos poderes especiais a Maduro.

Dias depois de cortar por decreto até 77% do preço de produtos eletrônicos e eletrodomésticos na Venezuela, Maduro tentou ontem acalmar a população, que pelo quarto dia seguido fez longas filas para comprar bens de consumo duráveis nas principais lojas de departamento do país. O líder chavista acusou a oposição de infiltrar-se nas filas para provocar tumultos violentos e deslocou a Guarda Nacional para conter possíveis distúrbios.

"Fiquem calmos, esses produtos continuarão onde estão", disse Maduro na TV. "Não há necessidade de dormir na frente das lojas. Ninguém precisa se desesperar ou ficar ansioso."

A Procuradoria-Geral da República deteve 28 pessoas, acusadas de cobrar preços abusivos de produtos importados, e emitiu outros dez pedidos de prisão. A Venezuela atravessa uma grave crise econômica, provocada pelo aumento do endividamento e a falta de divisas estrangeiras. Isso fez o preço do dólar no mercado negro disparar para quase dez vezes o valor da cotação oficial e provocou uma escassez de 22,4% dos produtos da cesta básica, a maioria deles importada. A inflação ao consumidor, que já era alta, subiu para 54% em 12 meses.

Maduro acusa os lojistas de especular com a diferença entre o câmbio oficial e o paralelo, já que este último é adotado como referência em vários produtos, apesar de os varejistas comprarem a moeda americana por taxas bem menores do que as usadas no câmbio negro.

Depois do decreto do fim de semana, uma TV de LED 3D de 47 polegadas, que era vendida a 99 mil bolívares -um valor que, na cotação oficial de 6,3 bolívares por dólar, alcança astronômicos US$ 15,7 mil - passou a custar 22 mil bolívares.

Economistas estimam que o corte de preços terá um impacto temporário sobre a inflação, mas há o risco de a alta procura agravar o desequilíbrio entre oferta e demanda, além de exacerbar a escassez.

Além do congelamento, corte de preços e da fiscalização contra abusos, Maduro também aumentou a oferta de dólares a importadoras e elevou a compra de alimentos de países da região como Colômbia, Argentina e Uruguai. / AP e EFE

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