Chavismo reduz ações em Caracas e concentra repressão no interior

Berço dos protestos da oposição contra o governo de Nicolás Maduro, a cidade de San Cristóbal tornou-se o principal foco de violência no país nas primeiras horas de ontem. A Guarda Nacional Bolivariana (GNB) tomou partes da capital de Táchira, em especial a região da Avenida Carabobo, para dispersar estudantes e militantes de partidos de oposição que resistiam com barricadas às forças de segurança havia quase dois meses.

DENISE CHRISPIM MARIN, ENVIADA ESPECIAL, CARACAS, VENEZUELA, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2014 | 02h04

Apesar da concentração maior das forças de segurança no interior, a GNB foi chamada ontem à noite para dissolver protestos na zona Leste de Caracas, onde estudantes tentavam levantar barricadas nas vias públicas. Bombas de gás lacrimogêneo foram lançadas, acusou o prefeito de Chacao, Ramón Muchado. Houve tentativa também de criar barreiras na rodovia Prados del Este e nas regiões de Trinidad e de El Hatillo.

Nas últimas duas semanas, depois de a GNB e a Polícia Nacional demolirem as barricadas da região de Altamira e Chacao, áreas nobres de Caracas, o conflito entre governo e oposição se concentrou no interior.

As marchas opositoras na capital venezuelana foram respeitadas pelo governo, atento à maior presença da imprensa estrangeira e da comissão da União das Nações Sul-americanas (Unasul), segundo o cientista político José Vicente Carrasquero, da Universidade Simón Bolívar. "Caracas é uma vitrine para o mundo. Ali, mesmo com filas, encontram-se produtos básicos e serviços públicos. No interior, o desabastecimento é mais crítico."

As cidades de Maracaibo, Valência, Guayana e especialmente San Cristóbal tornaram-se os principais palcos de violência. A prisão do prefeito oposicionista de San Cristóbal, Daniel Ceballos, e sua condenação a 12 meses de detenção exacerbaram a tensão na cidade. O Conselho Nacional Eleitoral (CNE), anunciou nova eleição para a escolha de seu substituto.

A GNB tentava desde o dia 28 restabelecer a circulação em San Cristóbal. Ontem, soldados lançaram bombas de gás lacrimogêneo, dispararam com balas de borracha e removeram um tanque e um ônibus queimado que serviam como barreiras.

Os pontos de conflito na cidade continuam monitorados por 120 agentes da GNB. Dos cerca de 80 organizadores das barricadas, 12 foram presos. Durante a ação, três soldados foram feridos. A GNB informou ter recolhido mais de uma centena de morteiros, além de lançadores, e encontrado evidências de fabricação de coquetéis molotov.

Segundo jornalistas estrangeiros, agentes do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin) invadiram um hotel onde eles estavam hospedados e exigiram que entregassem vídeos, gravações de áudio e fotografias do conflito. No Twitter, moradores informaram que os soldados da GNB tinham sotaque de outras regiões.

A deputada nacional María Corina Machado, cassada pela mesa diretora da Assembleia Legislativa, acusou o governo de empreender, em San Cristóbal, "a mais brutal repressão", com gás lacrimogêneo e tiros. "Senhor (presidente Nicolás) Maduro: comete grande erro ao cumprir ordens cubanas de atacar sem piedade o (Estado) de Táchira", declarou no Twitter.

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