AFP PHOTO / FEDERICO PARRA
AFP PHOTO / FEDERICO PARRA

Chavismo diz que oposição é responsável por onda de saques

Número dois do chavismo e governador de Estado palco de protestos dizem que MUD organizou tumulto que terminou com 400 presos e 1 morto

O Estado de S. Paulo

16 Junho 2016 | 17h10

CARACAS -Dois dias depois de saques a mercados e padarias que deixaram 400 presos e ao menos um morto na cidade de Cumaná, capital do Estado de Sucre, autoridades chavistas acusaram ontem a oposição de promover ataques a estabelecimentos comerciais, em mais uma suposta tentativa de tentar derrubar o governo do presidente Nicolás Maduro. As acusações foram feitas pelo governador de Sucre, o chavista Luis Acuña, e pelo deputado Diosdado Cabello, um dos líderes do governo bolivariano. 

“A direita venezuelana pretende semear os valores do paramilitarismo, do ódio e do crime entre os cidadãos”, acusou Acuña, que na véspera dissera que os saques eram responsabilidade de "vândalos. “Vamos ver como continuam as investigações. Queremos chegar aos autores intelectuais.”

Ex-presidente da Assembleia Nacional e tido por muitos como o número dois na hierarquia chavista, Cabello apresentou em seu programa na TV estatal venezuelana um vídeo que, segundo ele, provaria que a oposição levou manifestantes para saquearem o mercado em Cumaná. Frequentemente, o parlamentar faz denúncias similares contra a oposição em seu programa. 

“Vimos nos últimos dias as tentativas de grupos políticos da direita de provocar distúrbios”, disse o deputado. Ele acusou os partidos Primero Justicia, Voluntad Popular e Acción Democrática - os maiores da coalizão opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD) - de organizarem os saques. “Não me digam que isso foi espontâneo”, acrescentou. 

De acordo com a ONG Observatório Venezuelano de Conflitos Sociais (OVCS), houve 254 saques no país nos primeiros cinco meses deste ano. Ao menos 88 deles - 34% - ocorreram em maio. No total, quatro pessoas morreram.

 

O presidente Nicolás Maduro já ameaçou decretar estado de comoção interior, uma variação do estado de emergência, para enfrentar "golpistas violentos". A medida implicaria a restrição de liberdades civis. 

Segundo o governador de Sucre, a situação estava mais calma na tarde de ontem. A capital do Estado foi militarizada para prevenir novos saques. 

De acordo com moradores de Cumaná, o tumulto começou quando um grupo de pessoas que estava na fila de um mercado a espera de comida se revoltou com a escassez de alimentos, que, segundo pesquisas privadas, atinge 80% da cesta básica. 

Entre os produtos mais escassos na Venezuela estão arroz, óleo de cozinha, farinha de trigo e de milho, leite e artigos de higiene e limpeza. A partir de 2013, o governo chavista começou a restringir a oferta de dólares para a iniciativa privada, o que dificultou a importação de insumos para a produção de alimentos. Incipiente e alvo de corrupção e contrabando, a oferta estatal não atende à demanda.

Maduro diz que a oposição promove uma “guerra econômica” para tirá-lo do poder e, propositalmente, deixa de produzir alimentos para que a população se vire contra ele. / AFP e EFE

Mais conteúdo sobre:
chavismoVenezuela

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.