Chavismo vê crise na oposição a Maduro

Renúncia de secretário executivo da Mesa da Unidade Democrática mostraria que aliança 'não tem conserto'; número 2 também deixa o cargo

CARACAS, O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2014 | 03h30

Pouco depois de o opositor venezuelano Ramón Guillermo Aveledo anunciar, na quarta-feira, sua saída do cargo de secretário executivo da Mesa da Unidade Democrática (MUD), coalizão que reúne mais de 30 partidos contrários ao chavismo na Venezuela, o presidente da Assembleia Nacional, o governista Diosdado Cabello, afirmou que a aliança antichavista está em crise.

O número 2 da MUD, Ramón José Medina, também renunciou ao cargo, ontem.

"A MUD não tem conserto", afirmou Cabello à Unión Radio. "Não há maneira de consertá-la. Não há maneira que de suas cinzas surja algo novo", disse.

Ao anunciar sua saída do comando da coalizão que reúne a oposição à presidência de Nicolás Maduro, Aveledo declarou que não deixará a aliança e continuará militando - o que, para Cabello, não é verdade. "Não o querem (na MUD)", afirmou o líder chavista, vice-presidente do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).

Para o cientista político venezuelano Sadio Garavini di Turno, da Universidade Central da Venezuela, a saída de Aveledo da coalizão opositora não significa que a oposição está em crise. "É típico do adversário tentar se aproveitar de qualquer acontecimento. Mas isso não é verdade", disse ao Estado.

Segundo o analista, a MUD opera um rearranjo político para disputar as próximas eleições parlamentares, previstas para ocorrer no segundo semestre de 2015. "Uma nova etapa requer novos símbolos", afirmou.

"Considero que, quando um ciclo se conclui, deve se ter consciência disso. Estamos dando o caminho para que outros tomem o testemunho, sem que isso signifique nos desvincularmos da política", disse o ex-secretário executivo adjunto da MUD.

Garavini afirmou que Aveledo vinha sofrendo desgaste dentro da MUD por ser associado à maioria interna que se opôs, recentemente, à mobilização batizada de "A Saída" que, por meio de protestos de rua, pressionava Maduro a renunciar à presidência. Segundo o analista, o "cansaço por ser o negociador central e o porta-voz" da coalizão por cinco anos contribuiu para que Aveledo deixasse a liderança da MUD. "É um cargo muito ingrato."

O analista afirmou que a coalizão organizou, recentemente, reuniões para resolver as diferenças entre os partidários da pressão contra Maduro e os defensores da "alternativa democrática". "A unidade não está ameaçada", disse Garavini.

Henrique Capriles, um dos principais líderes da oposição, afirmou ontem que a MUD passa por "um processo de debate e decisões".

"Há diferentes visões da unidade e o afastamento de Aveledo nos chama a decidir que tipo de política queremos fazer." / GUILHERME RUSSO, COM AFP e EFE

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