DIGITAL/Handout via REUTERS
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Chavismo vincula disparos de helicóptero a 'tentativa de golpe'

Oposição e analistas veem com ressalvas o episódio e acreditam que ele pode se tratar de 'montagem' do próprio governo

O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2017 | 16h34

CARACAS - No dia seguinte a um helicóptero pilotado por um membro da polícia científica fazer disparos contra a sede do Judiciário venezuelano, o chavismo defendeu nesta quarta-feira, 28, a tese de que sofre uma tentativa de golpe de Estado. A oposição e analistas vinculados a ela, no entanto, acreditam que o episódio é uma trama organizada pelo próprio governo para legitimar seu discurso de que é vítima de um complô. 

O chanceler Samuel Moncada criticou o "silêncio da comunidade internacional" diante do ataque. "Estão protegendo os autores do ataque com seu silêncio e cumplicidade", disse ele em referência aos governos dos Estados Unidos, México e à União Europeia. 

O autor do ataque foi identificado como Oscar Pérez, inspetor aeronáutico da polícia científica venezuelana. De 36 anos, ele também é conhecido como ator amador. Na tarde de quarta-feira, ele dirigiu um helicóptero da entidade rumo ao TSJ e efetuou 15 disparos contra o prédio.

Pérez carregava uma bandeira com a inscrição liberdade 350 em alusão ao artigo da Constituição invocado pela oposição para pedir a saída de Maduro do cargo. Ele também divulgou um vídeo no qual aparece com quatro homens encapuzados e diz ser parte de uma coalizão de militares, policiais e civis contrários ao governo. No registro, ele pede a renúncia de Maduro e a convocação de eleições gerais. 

O incidente ocorre depois de Maduro por vários dias alertar para planos de um golpe para derrubá-lo. O presidente se pronunciou sobre o ataque durante um ato na TV estatal, no qual declarou ter mobilizado o Exército para "garantir a tranquilidade". Enquanto falava sobre o caso, ria e brincava.

Maduro vinculou o suposto complô a seu ex-ministro do Interior, o general da reserva Miguel Rodríguez Torres, um dos principais nomes da dissidência interna no chavismo. "Militares da reserva não dão golpes", disse o general.

A coalizão opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD) prometeu investigar a denúncia, sem descartar a possibilidade de uma farsa. "Dizem que os policiais estão fartos do governo. Seja como for, tudo indica que a situação é insustentável", disse o presidente da Assembleia Nacional, Julio Borges.

Analistas veem o caso com ressalvas. "É possível que o governo tenha montado o episódio do helicóptero para distração da crise ou provocar um expurgo nas forças de segurança", disse Diego Moya-Ocampos, da consultoria IHS Markit. /AFP e EFE

 

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