Chavista admite que arma apreendida em SP era sua

Ministro venezuelano Elías Jaua qualificou de 'erro involuntário' o fato de a babá de sua família ter sido presa com um revólver dele no Aeroporto de Guarulhos

CARACAS , O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2014 | 02h01

O ministro venezuelano para as Comunas e os Movimentos Sociais (ou Economia Popular), Elías Jaua, admitiu ontem que é o dono do revólver calibre 38 carregado que foi apreendido com a babá de sua família no aeroporto de Guarulhos, na madrugada do dia 24. Por esse motivo, a funcionária do chavista foi presa em flagrante por tráfico internacional de armas e ficou cinco dias detida em São Paulo.

"Diante das autoridades judiciais desse País (o Brasil), fiz constar que se tratava de um erro involuntário, que a arma era de minha propriedade, que eu assumia a responsabilidade do ocorrido - como a assumo", declarou Jaua em um comunicado intitulado "Esclarecimentos ao povo da Venezuela", que foi distribuído ontem em Caracas.

O ministro - ex-vice-presidente venezuelano, que foi chanceler de Hugo Chávez entre 1999 e 2013 - disse que a prisão de sua funcionária ocorreu enquanto ele cumpria uma atividade oficial no Brasil, juntamente com seu grupo de apoio ministerial, que inclui sua mulher.

"Assim que a agenda de trabalho se iniciou", segundo Jaua, sua mulher teve de passar por uma intervenção cirúrgica "de urgência". O ministro afirmou que, por esse motivo, antecipou seu retorno a Caracas - e pediu que um avião da Petróleos de Venezuela (PDVSA) fizesse o transporte.

"Igualmente, solicitei o apoio de Yaneth Anza (de 39 anos), trabalhadora de minha estrita confiança, para que me auxiliasse com o retorno de minha mulher convalescente e me trasladasse documentos (...), advertindo que tirasse da maleta a minha arma pessoal, legalmente registrada."

Segundo Jaua, Yaneth não encontrou o revólver "e viajou convencida de que não trasladava nenhum armamento". "Quero ressaltar o nome de Yaneth Anza, que é uma mulher trabalhadora, inteligente, nobre e honesta, que se integrou de maneira amorosa a nosso núcleo familiar há cerca de 15 anos", disse o ministro, após rechaçar "profundamente" as críticas que sofreu em razão do incidente.

"Especialmente, assinalo o uso covarde desse tema" pelo líder opositor duas vezes candidato à presidência Henrique Capriles, "o qual não faz mais que evidenciar o desprezo de classe com que os burgueses como ele desprezam as mulheres do nosso povo que trabalham em seus lares".

O opositor venezuelano criticou o fato de Jaua e sua família terem usado um avião da PDVSA para suas viagens ao Brasil, afirmando que o chavista "não é diplomata nem ministro das Relações Exteriores".

Mal-estar. O Estado apurou que Jaua veio a São Paulo originalmente acompanhar sua mulher em exames que ela havia agendado no Hospital Sírio-Libanês, na região central da cidade. Mas, ao chegar na unidade de saúde, a avaliação foi de que a mulher do ministro venezuelano teria de passar por cirurgia imediatamente. Jaua teria decidido, então, trazer a sogra, os filhos e a babá.

A entrada de Jaua no Brasil causou mal-estar no governo brasileiro. Apesar de ter ido a São Paulo por motivos pessoais e não estar em missão oficial, seria de praxe um aviso ao Itamaraty, que não ocorreu. / EFE

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