REUTERS/Marco Bello
REUTERS/Marco Bello

Chavista Diosdado Cabello ganha processo contra o jornal 'El Nacional'

Número 2 do PSUV ameaça tomar instalações do diário se indenização não for paga

O Estado de S.Paulo

05 Junho 2018 | 20h34

CARACAS - O poderoso líder chavista Diosdado Cabello ganhou ontem um processo contra El Nacional, o principal jornal de linha opositora na Venezuela. Em seguida, Pedro Carreño, integrante da governista Assembleia Constituinte, que comanda o país, disse que Cabello poderia ser o novo dono do jornal. 

A Justiça venezuelana aceitou deu ganho de causa a Cabello em um processo contra o El Nacional por dano moral e ordenou que o diário pague “1 bilhão de bolívares”. O valor equivale a US$ 12.500, segundo a cotação oficial, e US$ 600 pelas taxas do mercado negro. No entanto, se não pagar, o jornal corre risco de ser expropriado. 

Em 2015, Cabello, número 2 do partido governista PSUV, processou o jornal El Nacional por “difamação e injúria”, após a reprodução de uma reportagem do jornal espanhol ABC que o vinculava ao narcotráfico. O líder chavista também apresentou queixas contra o ABC na Espanha e contra o Wall Street Journal nos EUA – mas ambas foram rejeitadas.

Em seguida ao anúncio da vitória jurídica de Cabello, em entrevista na TV, Carreño disse ontem que o jornal passará a ser propriedade de Cabello, caso não pague a indenização. “Durante o julgamento, foi apresentado um pedido para o caso de a direção rejeitar fazer o pagamento. Então, Diosdado seria o novo dono”, declarou Carreño.

Um ano atrás, Cabello disse que, se ganhasse a demanda, entregaria o jornal aos funcionários, o que a direção do jornal também considerou uma ameaça de expropriação. “O Nacional será dos trabalhadores para que se fale a verdade”, disse Cabello.

A Conatel, que regula o setor de telecomunicações , acusou o diário de publicar informações que “desconhecem autoridades legitimamente constituídas”, ao questionar a reeleição do presidente Nicolás Maduro. De acordo com a ONG Espaço Público, 51 meios de comunicação deixaram de funcionar na Venezuela em 2017 por sanções, problemas econômicos ou falta de insumos como o papel-jornal. / AFP

 

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