Juan Barreto / AFP
Juan Barreto / AFP

Chavista dissidente vincula Maduro ao caso Odebrecht e foge para a Colômbia

De acordo com o diário chileno' La Tercera',  ela teria fugido de lancha do litoral venezuelano para a Ilha de Aruba, na costa caribenha, e de lá tomado um voo para Bogotá

O Estado de S.Paulo

18 Agosto 2017 | 18h24
Atualizado 18 Agosto 2017 | 21h25

PUEBLA, MÉXICO - A ex-procuradora-geral da Venezuela, a chavista dissidente Luisa Ortega Díaz, acusou nesta sexta-feira, 18, o presidente Nicolás Maduro de estar envolvido com casos de corrupção da Odebrecht no país. A declaração foi feita por Ortega em uma reunião de membros de Ministérios Públicos da América Latina em Puebla, no México.

Com o passaporte confiscado e bens congelados pelo chavismo, a dissidente fugiu da Venezuela. Apesar de ter participado da reunião no México por telefone, o jornal colombiano El Tiempo informou que ela chegou nesta sexta-feira, 18, a Bogotá. Ela estava acompanhada do marido, Germán Ferrer, e de dois colaboradores. A procuradora deve pedir asilo ao governo de Juan Manuel Santos.

De acordo com o diário chileno La Tercera,  ela teria fugido de lancha do litoral venezuelano para a Ilha de Aruba, na costa caribenha, e de lá tomado um voo para a Colômbia. 


“Temos os detalhes de toda a operação, quantias e personagens que enriqueceram”, disse a ex-procuradora, que deixou a Venezuela depois de a Assembleia Constituinte, instalada pelo presidente, tirá-la do cargo e mandar prender seu marido, o deputado chavista Germán Ferrer. “A investigação envolve o senhor Nicolás Maduro e seu entorno”, garantiu. Acusada de pagar propina em diversos países da América Latina, a Odebrecht diz que está colaborando com as investigações. 

Ortega criticou o ataque conduzido por militares chavistas ao MP venezuelano depois de sua destituição, em 5 de agosto. “Mais de 300 oficiais da Guarda Nacional Bolivariana participaram desse desonroso evento”, disse a dissidente. 

A ex-procuradora, que foi proibida de deixar a Venezuela e teve seus bens congelados, disse que sofre perseguição sistemática e pediu que suas declarações fossem repassadas à imprensa. “Podem inventar crimes, prender meus parentes, mas jamais renunciarei à defesa da democracia, da liberdade e dos direitos humanos”, disse. Ortega não revelou seu paradeiro. Uma fonte da procuradoria mexicana disse que autoridades locais não sabem se ela está no país. 

Em Caracas, durante reunião da Assembleia Nacional Constituinte, a presidente do órgão, a ex-chanceler Delcy Rodríguez, acusou Ortega de exercer a “supremacia branca” durante seu período à frente do MP. “A ex-procuradora-geral fez da cor de sua pele uma ideologia para perseguir jovens pobres, negros e mestiços”, acusou, sem oferecer provas.

 

Perseguição. Ortega foi destituída de seu cargo na primeira ação da polêmica Assembleia Constituinte e tanto ela quanto seu marido são alvos de diversas ações policiais.  Na noite de quinta-feira, mais uma vez, a residência dos dois ex-chavistas foi alvo de uma ação de busca e apreensão e a Constituinte decidiu remover a imunidade parlamentar de Ferrer. 

Os dois são agora acusados de serem os “mentores intelectuais” dos protestos que ocorrem na Venezuela desde 1.º de abril e deixaram 125 mortos. Segundo o portal argentino Infobae, Maduro ordenou o confisco dos passaportes do casal e, por isso, ela teria fugido “para a Colômbia ou para o Brasil”. Já a rede colombiana Caracol afirmou que a fuga foi na direção do México e os dois escaparam juntos. 

Ortega rompeu definitivamente com Maduro após a convocação da Assembleia Constituinte, que elegeu 545 novos representantes - sendo praticamente todos chavistas - para reescrever a Carta venezuelana.

Dissidência. Nos últimos meses, ela mandou investigar abusos de militares chavistas contra manifestantes e deu prosseguimento a algumas investigações sobre o caso Odebrecht, que teria pago na Venezuela US$ 98 milhões em propinas.

A Constituinte permitiu ao chavismo a demissão de Ortega e sua substituição por funcionários de confiança de Maduro e colaboradores mais próximos. Ortega chegou ao cargo pelas mãos do presidente Hugo Chávez. / AFP e ANSA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.