Chavista passa megaempresário e pode ser eleito no Equador

O candidato esquerdista à presidência do Equador, Rafael Correa, passou o direitista Álvaro Noboa e agora lidera a corrida eleitoral, segundo pesquisa divulgada nesta sexta-feira, 24. O segundo turno das eleições equatorianas acontecerão no próximo domingo, após semanas de uma disputa marcada por trocas de farpas e acusações. Segundo levantamento divulgado no exterior pelo instituto Cedatos-Gallup, Correa, que no primeiro turno contou com o apoio do presidente venezuelano Hugo Chávez, tem 52% das intenções de votos, contra 48% de Noboa. A margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais, para mais ou para menos. Porém, de acordo com analistas políticos ouvidos pela agência de notícias Reuters, a corrida eleitoral ainda está indefinida, pois 17% do eleitorado é composto por indecisos. "É muito difícil dizer se a vantagem de Correa durará até domingo (dia da eleição) porque os eleitores equatorianos são tão imprevisíveis que qualquer um pode vencer", disse Felipe Burbano, pesquisador da Faculdade Latino Americana de Ciências Sociais. É a primeira sondagem que mostra Correa - que chegou a estar 15 pontos atrás de seu adversário - na liderança. "Temos de estar vigilantes, não permitiremos que a vontade do povo do Equador seja mais uma vez desrespeitada pelos oligarcas", discursou Correa. "Só perco se houver fraude" Correa encerrou na noite de quinta sua campanha eleitoral em Quito insistindo na tese de que só uma fraude eleitoral poderá lhe tirar a vitória. À tarde, após um encontro com jornalistas estrangeiros, o nacionalista afirmou que os assessores de Noboa haviam trazido do exterior milhares de canetas cuja tinta se apagaria duas horas depois de aplicada na cédula eleitoral. No palanque, retomou a denúncia e exortou aos cerca de 30 mil partidários presentes que convencessem seus parentes e amigos a levar sua própria caneta para votar. "Neste domingo, a oligarquia corrupta, a partidocracia e os canais de TV vinculados a banqueiros corruptos tentarão promover uma gigantesca fraude eleitoral", discursou. "Estamos prontos para evitar que eles tenham sucesso." Analistas equatorianos consultados pelo Estado estimaram que as declarações de Correa trazem embutida a mensagem de que ele não aceitará uma possível derrota para Noboa - o que poderia resultar em mais um episódio de convulsão social num país em que os últimos três presidentes eleitos não conseguiram chegar ao fim de seus mandatos. A missão de observação eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA), que chegou no começo da semana ao Equador e é liderada pelo ex-chanceler argentino Rafael Bielsa, pediu moderação aos dois candidatos. E reiterou o apelo feito às emissoras de TV pelo Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) para que não divulguem nenhum resultado preliminar - de boca-de-urna ou apuração paralela -, caso a vantagem apurada de um candidato sobre o outro não seja superior a 4 pontos porcentuais. O TSE também qualificou de "improcedentes" as denúncias feitas por Correa, rejeitando todas as possibilidades de fraude. Por seu lado, Noboa encerrou sua campanha também na noite de quinta na cidade portuária de Guayaquil com um discurso marcado principalmente pelos ataques contra Correa. Com uma Bíblia na mão, acusou Correa de planejar levar o Equador a uma guerra civil para implementar no país uma ditadura comunista - "seguindo um plano arquitetado por seus mentores (o líder cubano) Fidel Castro e Hugo Chávez".

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