EFE
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Chavista quer milícia de 1 milhão para se manter no poder

“Tropa cívico-militar” terá a missão de resistir à oposição, interna e externa

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

08 Agosto 2017 | 05h00

Nicolás Maduro quer ter, ainda este ano, 1 milhão de homens e mulheres “registrados, fardados, armados, treinados e organizados”, na Milícia Nacional Bolivariana (MNB). “Um fuzil para cada um”, prometeu em pronunciamento. A “tropa cívico-militar”, será recrutada, segundo o presidente, nas 99 Áreas de Defesa Integral da distribuídas pelo comando da MNB por todo o país.

Em abril, Maduro comemorou os sete anos de atividade (e dez anos desde a criação, em 2007) da corporação com uma caminhada de 5 quilômetros pelas ruas da capital, Caracas, até um grande evento diante do Palácio Miraflores. Na sede do governo, o presidente venezuelano entregou o certificado de matrícula ao militante de número 500 mil – um trabalhador da região de Puerto Cabello, no norte do país, onde se produz café de alta qualidade.

O plano é vasto. Para Maduro, a missão da milícia “será sempre a de resistir à oposição, interna e externa, cuja ofensiva contra a Venezuela tem, entre outros, fortes motivos geopolíticos”. Na prática, isso significa que o grupamento paramilitar tem o dever de “coadjuvar as ações de segurança e defesa desenvolvidas pelas Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB), idealizadas pelo comandante Hugo Chávez”. 

A milícia bolivariana tem o próprio comandante, general Gustavo Gonzáles López, e Estado-Maior independente. Para operações, recorre ao apoio do Comando Estratégico Operacional. No viés administrativo e jurídico, depende do Ministério do Poder Popular para a Defesa – ambos estão diretamente subordinados ao Comando Supremo das FANB, exercido por Maduro.

É uma força paralela idealizada por Chávez depois do golpe que o tirou do poder por dois dias até ser revertido, em abril de 2002. O ex-presidente, morto em março de 2013, pretendia ter uma linha rápida de reserva armada para enfrentar eventuais novas dissidências. 

O grupo está nas ruas, ao lado da polícia e dos militares regulares, na repressão a manifestantes. É um pessoal violento, identificado pelo uniforme cáqui e pela extrema agressividade. Os milicianos que atuam em Caracas vêm de outros pontos do país da mesma forma como os da capital são levados para outras cidades, de forma a não terem vínculos com a população que combatem. 

O manejo só é possível por causa do formato do alistamento. A unidade regional é a Milícia Territorial, que tem a abrangência do Estado onde se encontra. A Venezuela tem 22 Estados e um distrito federal. As MT mantêm um Corpo Combatente, formado na maioria dos casos por trabalhadores de determinadas áreas profissionais sindicalizadas.

Todos passam por um período de instrução de seis meses a dois anos e assinam um termo de compromisso que permite a convocação “frente a estados de ameaça e de exceção constitucional”. Os mais bem preparados são chamados para “assumir encargos de natureza militar, dentro ou fora do país”.

É JORNALISTA

 

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