REUTERS/Marco Bello
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Chavista quer testar ‘sanidade’ de procuradora na Venezuela

Deputado governista acusa chefe do Ministério Público, que rompeu com Maduro, de colocar país sob risco de guerra civil

O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2017 | 19h29

CARACAS - A procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega, converteu-se em uma pedra no sapato para o governo de Nicolás Maduro ao ponto de um deputado chavista pedir à Justiça para avaliar a saúde mental dela. Para o deputado Pedro Carreño, Luisa pode levar a Venezuela a uma “guerra civil”. 

“Vamos ao Tribunal Supremo de Justiça solicitar que se forme uma junta médica de especialistas, peritos, psicólogos e psiquiatras para que façam uma avaliação dessa senhora”, disse Carreño, nesta segunda-feira, 5, ao canal estatal VTV. 

Carreño considerou que a procuradora tem “insanidade mental” e comparou o caso ao do ex-presidente equatoriano Abdalá Bucamaram, a quem o Congresso de seu país destituiu em 1997 por suposta incapacidade mental. 

Para ele, Luisa não apenas pode levar o país a uma guerra civil, como também pode gerar as condições para uma “invasão estrangeira”. Chavista, a procuradora vem se afastando do governo Maduro desde março, ao denunciar a “ruptura constitucional” por decisões do TSJ contra o Parlamento venezuelano, sob controle da oposição. Segundo ela, a corte estava a serviço dos interesses do governo. 

A chefe do Ministério Público também pediu a Maduro para retirar sua convocatória de uma Assembleia Constituinte, prevista para julho, e responsabiliza os militares por violações dos direitos humanos durante os protestos de opositores. 

O ministro de Comunicação e Informação da Venezuela, Ernesto Villegas, informou ontem que a onda de protestos no país já deixou 80 mortos em 66 dias. 

Processo dessa natureza para funcionários do governo não está previsto na lei venezuelana. Além disso, o Legislativo é o único poder com faculdade para destituir a procuradora. / AFP  e EFE

 

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