Chavistas fazem manifestação em Caracas

Os funerais de dois simpatizantes do governo do presidente venezuelano Hugo Chávez, baleados durante uma marcha da oposição na sexta-feira, foram transformados em uma grande manifestação neste domingo, na qual milhares de "chavistas" percorreram as principais ruas de Caracas para exigir punição para os assassinatos. O vice-presidente José Vicente Rangel acusou o opositor prefeito de Caracas, Alfredo Peña, e a Polícia Metropolitana, que ele dirige, pelas duas mortes. "Estes mortos são de Peña, estes mortos são de Henry Vivas (diretor da PM). A ´Peñapol´ atua contra o povo", acusou.Rangel reiterou as qualificações de "golpistas" e fascistas", usados pelo governo, contra os líderes de oposição, que desde o dia 2 de dezembro mantêm uma greve geral para exigir a renúncia de Chávez, focalizada na estratégica indústria petroleira do quinto maior exportador mundial de petróleo.Peña rejeitou as acusações do governo e denunciou uma "campanha feroz, vil e canalha" contra a PM. "O governo e seus acólitos não querem a PM, pois ela não serve ao projeto político de Chávez, que é o caminho (do regime) de Cuba, mas ao que diz a Constituição." Peña disse que, de acordo com um informe legista extra-oficial Oscar Gómez, um dos mortos foi acertado por uma bala calibre 0,4 - não usada pela PM -, enquanto que a outra vítima (Jairo Morán) foi atingida por disparos de franco-atiradores civis, envolvidos nos confrontos entre manifestantes da oposição e "chavistas" diante do Forte Tiúna, sede das Forças Armadas.Peña também disse achar estranho Rangel pedir uma nova intervenção da PM, pois o comando da instituição policial ainda não lhe foi devolvido apesar de uma sentença emitida pelo Supremo Tribunal nesse sentido. A PM, vista pelo oficialismo como um órgão armado a favor da oposição, sofreu intervenção em 16 de novembro do governo e Chávez designou uma nova direção para, segundo ele, garantir a ordem pública e resolver uma disputa trabalhista dentro da corporação.Hoje, o ministro de Minas e Energia, Rafael Ramírez, disse que parte de uma refinaria tinha sido reativada para produzir 150 mil barris diários de combustível, reduzindo as importações que o governo vinha fazendo para evitar a escassez diante da paralisação no país.

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